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novo ep do hotel avenida
E aqui estamos nós na rede de blogs e sites organizada pelo pessoal do Hotel Avenida para divulgar seu mais recente trabalho. Ta vendo? Não precisa reclamar muito de complicações com divulgação… é só ter boas idéias. Basta clicar aqui (ou na imagem) e baixar o disco lançado hoje. Pronto.
Mais um EP que ganha formato físico e virtual… mas que segue uma proposta acústica. Nada distante da linha utilizada pela banda, um encontro de gerações curitibanas bem interessante, capitaneado por Giancarlo Rufatto e Ivan Santos, ao lado de Carlão Zubek, Allan Yokohama, Igor Ribeiro e Eduardo Patrício.
Lá está a verdade crua na faixa “Zelo”, a inocente e ensolarada “Um Centavo”, junto com “Só o amor pode partir seus joelhos” e “Nas profundezas do coração do fundo do copo”. Com esses dois últimos títulos eu deixo minhas comparações de lado e dou espaço para a surpresa. Chutei a casinha. Detalhe na refinada escolha de versões usadas (um tapa de luva bem humorado na ditadura dos covers… hum….), com novas roupagens para “Nuvens de Lágrimas”, registrada por Roberta Miranda e Fafá de Belém (aham) e “Meu Abismo, Meu Abrigo” do Lobão.
Sexta-feira (30) eles tocam no Jokers, junto com o Plêiade.
escatologia comportada
I – o rio de janeiro curitibano
Se você acompanha bem de longe o que rola em Curitiba, com certeza já ouviu falar nestes dois nomes. Bonde do Rolê e Copacabana Club. O primeiro foi direto para a gringa e tem gente que até hoje pergunta de onde esse grupo de funk-carioca-sem-etiqueta surgiu. “é daqui mesmo? como assim?”. O segundo já é uma promessa pronta, agradou ao público, crítica, donos de bares, rádios, músicos, molecada, indies velhos, mtv, levis, kanye west e os curiosos de plantão. Consumido de todas as maneiras para ninguém carregar o peso da omissão nas costas. A comida de bola com os Rolezentos ainda martela a cabeça de alguns jornalistas e público por aqui… Agora, todo mundo quer tirar uma lasquinha dos Copas.
Duas facetas escancaradas. A sensual malandragem dos morros cariocas disputando espaço com a importada e elitizada “princesinha do mar”. Impressionante como dois lados do Rio de Janeiro são absorvidos para buscar uma noção de brasilidade nos pinheirais. Cada um de um jeito… e com identificação declarada. Lindo. E foi esse duelo musical que o reduzido público presente testemunhou. Um capítulo da recente história musical alternativa da cidade… “Alternativa” no caso é o que NAO é psychobilly, NAO é hardcore, NAO é emo, NAO é hip hop, NAO é eletrônico (hum), NAO é pop (huuum…), NAO é mod…
… é o que sobra. E a sobra é grande.
Mas funk carioca universal? Só em Curitiba isso poderia acontecer. Uma forma de chocar as pessoas e modernets de plantão… uma brincadeira de mau gosto, feita por NAO músicos sem noção. Só daria certo aqui…
II – carnaval de bosta
(Deixo aqui as descrições sobre a noite e entrevistas para o Felipe Gollnick, do Defenestrando. Pulo direto para os shows)
Enquanto é bonito ver o Copacabana Club no palco, a experiência sensorial de uma apresentação do Bonde do Rolê pode não ser das melhores. Sons, cheiros e gostos (para quem ficou perto do palco) misturados ao batidão pop esquizofrênico.
Os Copas não contam só com a simpatia e charme das danças hipnóticas de Caca V. Ou das coxas da Claudinha… a guitarra levantada do tímido Alec ao lado de Tile, que as vezes fica de costas para o público e “bate a cabeça” quando é mais exigido no baixo. Muito menos do Rafa Martins, que acaba de assumir o lugar de Luli Frank na guitarra… é todo o conjunto da obra. O Copacabana Club é uma banda de palco. Se você nunca viu uma apresentação deles, não julgue pelas primeiras escutadas. Eles ainda ganharam o reforço das bases de Rodrigo Stradiotto, produtor do EP. De um jeito ou de outro as composições acabam caindo em algum lugar comum da música alternativa, mas é bem feito. Contagia. Seus ouvidos e olhos agradecem o espetáculo. E eles retribuem os agradecimentos. “Obrigados” e mais “obrigados” de todos os lados…
“Retribuir” foi um dos pontos de partida do Bonde do Rolê. Eles não tocavam por aqui há 3 anos. Na época, já tinham sido reconhecidos pela Rolling Stone gringa, esboçaram uma turnê americana ao lado do CSS e Diplo, e estavam na capa do Estadão e Folha (com uma possível série de shows que aconteceu na Europa, lembrada pelo Pedro). Enquanto poucos veículos de comunicação locais dedicavam algumas palavras a eles. Foram duas apresentações antes de partir para os Estados Unidos. A última, ao lado do CSS, para um público de quase 30 pessoas (eu estava lá). Quase não receberam o pagamento. Se é que receberam.
Ai a equação fica bem fácil de resolver: o início conturbado na cidade + total ausência de noção + tendências escatológicas = a um show de bosta. E foi isso. O Bonde do Rolê veio para jogar a merda no amplificador… mas segurou a onda. Os preparativos para as “fezes artificiais” (antes que alguém ai se incomode com o sentido literário do termo… “bosta”), à base de chocolate em pó, maizena, milho e outros ingredientes, foram embalados pela sensação de “retribuir”. Pensando bem, o troco nem era tão importante (não existe rancor no discurso deles), mas a piada seria ótima! Isso porque a banda nem sabe ao certo se é curitibana. Nenhum integrante atual nasceu aqui e muito menos mora em Curitiba. Gorky e Pedro começaram a reencontrar amigos, conversaram com fãs e ficaram em um zigue-zague social com Laura e Bernardino sendo apresentadas a todos. Amoleceram. Deixaram o lado infantil nas roupas de bebês e fraldas, e conduziram o cocô somente no palco (claro, quem subiu no palco saiu “cagado”). Foi um dos melhores shows que a cidade recebeu no ano.
O mais impressionante é que eles sequer provocaram o público com a mistura de texturas e odores que pairava no palco. Não precisou. Os fãs se jogaram na lambança. Em vários momentos o palco foi tomado por vinte, trinta pessoas que agitavam e se esfregavam. Anarquia escatológica embalada pelo funk e os vocais gritados e roucos de Pedro, Ana, Laura e Gorky. Quer ver alguém dar o sangue em uma apresentação de pouco mais de 50 minutos que não para (não para, não)? Clica em um dos vídeos…
… o melhor é que nenhum integrante da banda jogou o falso cocô nas pessoas. Sempre tinha alguém em volta jogando merda no outro. Fica a dica de uma metáfora bem interessante…
III – banho e sábado de cinzas
Foi isso. No dia seguinte as duas bandas partiram para Porto Alegre. Levaram um pouco do lado carioca-curitibano-universal para os gaúchos. Assim como levam para os palcos paulistanos, mineiros, recifenses, ingleses, japoneses… por aqui, tudo segue normal. Mais solto e relaxado, como uma boa descrição de pós-cagada que só Charles Bukowski poderia escrever.
videos e fotos do @yadayadayada
2039
lembra aquele papo sobre o texto que eu publiquei na última edição da Curitiba Deluxe? então…
subtropicália 2039
ok… 2h49 da madrugada… um anônimo acaba de me mandar tomar no cu (via blog) e li umas coisas que me desanimaram. Não é a melhor hora de começar esse texto. Ou é?
Bom, amanhã conversamos.
…
Pra variar eu dormi demais. Acordei 30 anos depois, em 2039. Com Michel Gondry e Nêgo Pessoa de guias, não pergunto como vim parar aqui e me jogo pelas ruas para buscar inspiração, sentir a cidade, o clima, as mudanças, ver os carros voadores e as máquinas de teletransporte.
Nada disso.
Já imaginava que o futuro seria assim… jovens com roupas estranhas, arquitetura de casas arrojadas, ao lado de ícones preservados da cidade. A Rua XV ganhou uma cobertura para proteger seus visitantes da maléfica luz solar. A estatua do Homem Nu foi esteticamente adaptada para uma homenagem feita em memória de Oilman (ganhou um rabo de cavalo e foi envernizada). O Passeio Público está com ares de Central Park e ocupa toda a área que ia do shopping Muller até o Mafalda e arredores. A antiga sede da Curitiba Deluxe foi ocupada por árvores e riachos artificiais. Por sinal, preciso saber como está o Heros lá na Deluxe e se ele ainda precisa deste artigo…
Só não entendi porque suspenderam a Praça Osório para a cobertura de um prédio de 70 andares construído no local que é a sede da atual prefeitura de Curitiba. Central e de olho em toda a capital. Resquícios das duas gestões de Dary Jr. como prefeito. Desde o final do Terminal Guadalupe ele decidiu colocar em prática suas letras e composições e assumiu o compromisso público. Pelo visto ele montou uma outra banda… com seu filho, Dary Neto.
Acessei a rede wi-fi que existe no planeta e pesquisei o que aconteceu nesses 30 anos. Nenhuma novidade, eles sabem muito mais sobre 2009 do que nós, habitantes da época. A surpresa está na forma como nossa produção musical tinha sido assimilada. Algumas figuras continuavam na ativa… como o Relespública que ainda tocava todas as quartas no Hermes, no compasso do Blindagem. Mas o endereço do Hermes mudou… não o local, só o nome da rua. A Avenida Iguaçu agora se chama Waltel Branco graças a seu legado deixado como uma das principais obras da música local. Suas coleções são hoje disputadas em edições de vinil e têm a mesma importância que a obra de Tom Jobim e Duke Ellington. Justiça foi feita (meio tarde).
Bati os olhos nos arquivos do Caderno G e as diferenças gritaram. (Off – grandes figuras que surgiram no twitter ocuparam altos cargos da Gazeta do Povo. A @twittess passou um bom tempo como coordenadora antes de assumir um cargo mais alto na Globo Media Corporation. Seus seguidores continuaram juntos e aumentando). Então… o grito veio em forma de compreensão. Hoje, em 2039, nossa história é melhor assimilada e refletida, assim como seus personagens. Logo após a primeira turnê do Bonde do Role pela América Latina (que terminou após um ataque de stress sofrido por Pedro, já previsto por uma vidente anos antes), caiu a ficha do público curitibano. Sacou que as fontes de informações estavam ali, prontas para serem descobertas na internet. Acabaram com aquela carência refletida em agressões virtuais e reclamações que acompanhavam a molecada desde o chat que existia no site O Bule. Jornalistas também mudaram um pouco seus critérios e deixaram de queimar o filme em público. Assimilaram que aquela idéia de “banda que vai emplacar no Brasil” não representava mais nada. Nada. A internet mudou tudo. Os critérios de análise se tornaram mais segmentados e, ao mesmo tempo, universais. A banda não era mais avaliada comercialmente ou baseada em gostos pessoais, e sim pela relevância dentro de seu nicho. Mesmo que só tenha emplacado na Indonésia, ela era respeitada e compreendida (enquanto isso, sons ruins continuavam ruins e não despertavam a menor atenção da mídia… ou eram bem criticados) Público, bandas e jornalistas no eixo. Neste grau de importância… Mas o pior é que ainda têm umas figuras de 2009 que insistem em achar a situação… opa. Peraí. Preciso parar. Tem muita gente me olhando estranho porque estou usando um notebook em público… sooo last week.
É bom saber que o futuro nos reserva um pouco de utopia. Quem acha que esse papo vai terminar com uma lição de moral, foi mal ai. Só reafirma que tudo feito em 2009 contribuiu para esta realidade, 30 anos depois. Igual importância para erros e acertos, otimistas e pessimistas… O caminho é esse mesmo e seguido sem arrependimentos.
agora vai: curitiba sônica

Fica a dica para esse (provável) sábado ensolarado… a estréia do projeto Curitiba Sônica. Contemplado pelo Edital de Bandas de Garagem da FCC, a iniciativa conta com a gravação de doze discos de bandas da cidade, que circulam pelo rock, pop, alternativo e essas misturas que estamos bem acostumados nos inferninhos locais. Os shows acontecem até o início de 2010, sempre no Teatro Universitário de Curitiba (TUC) com a entrada saindo por R$1,50. Mas esse é apenas um dos projetos aprovados pelo edital. O Grande Garagem Que Grava ja iniciou suas apresentações e ainda vou falar dos outros por aqui.
A abertura do projeto será com as bandas Rockajenny, Caio Marques, Our Gang, Subburbia e lasttape, e pelo visto todas as pessoas envolvidas na história estarão por lá. Festona que começa às 20h. Segue a lista de bandas envolvidas: Our Gang, Alameda, Boss in Drama, Subburbia, Folk Trio, Tods, Rockajenny, Liquespace, Easy Players, lasttape, Caio Marques e Olímpicas Esferas. Uma salada de nomes de diferentes períodos da cena musical local, alguns bem reconhecidos… outros não. Detalhe que isso tudo irá se transformar em um documentário lançado no final da produção dos discos.
Começa amanhã, vai por aqui e acompanhe as novidades…
atualizado little joy show curitiba amarante binki moretti
Não é de hoje que muita gente vem parar no Subtropicália procurando informações sobre “show do Little Joy em Curitiba”. Ainda mais com o retorno deles ao Brasil… rola uma esperança. Mas vamos atualizar a história; dessa vez eles passam direto por nós e só tocam no Rio, São Paulo e Porto Alegre. A não ser que alguma produtora local tenha cartas na manga, e uma casa pronta para receber um público maior do que aquelas quase mil pessoas que se espremeram no john bull music hall em fevereiro… e a gripe H1N1 tenha dado uma trégua (tão achando que é brincadeira? a coisa tá séria).
Agora… se você estiver afim de conferir o show do (quase) trio de qualquer jeito, fica a dica publicada no Bloody Pop, de que o Adam Green vem junto para fazer a abertura de todas das três apresentações. A venda dos ingressos também já começou (pelo menos no Rio).
Quem não viu o show deles por aqui… perdeu. Segue o registro que o Denis fez naquela noite quente e arrastada de quarta-feira…
caipiras de boutique

foto: Rodrigo Belleh arte: Gean Santos
Saiu o novo single do Charme Chulo. “Fala Comigo, Barnabé!” faz parte do próximo disco deles, “Nova Onda Caipira”, com lançamento marcado para outubro. A formação deles também é novidade; sai o baixista Peterson Marconi e quem assume o posto é Marano (ex-Terminal Guadalupe). Esses dias o Leandro Delmonico cantou a bola no blog da banda de que foram oito meses de gravações em quatro cidades diferentes (Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Florianópolis) e a possibilidade de vários interiores explorados a fundo pela banda que já é uma das veteranas por aqui.
Segue o vídeo de outra faixa que estará no próximo disco… “Brasil Sacanagem” registrada durante o Expressões Oi – palco das Ruínas de São Francisco.
nota…
agora é a hora de alguns esclarecimentos.
O blog meio que voltou por causa desse texto que eu publiquei na Deluxe. O “Subtropicália 2039″ me deu um gás para poder falar da cidade novamente… Desde dezembro do ano passado eu me envolvi com trabalhos de produção por aqui. Coisas que nunca me interessaram muito, mas que surgiram com as pessoas certas em um momento que parecia ideal. Assim, André Ramiro e Andy Andrade me convidaram para entrar na Maamute, com o gigantesco plano de trabalhar com bandas curitibanas de forma profissional; negociar caches legais, correr atrás de constantes shows dentro e fora da cidade, além de resolver toda a história de releases, fotos, blogs… eram 19 bandas ao todo e não faltaram conselhos de amigos produtores de que a carga era pesada para três pessoas. Sabíamos disso mas estávamos no gás. Alguém tinha que começar/continuar/retomar. Um geólogo-músico-designer, uma produtora nata e eu, o jornalista.
Só que não é fácil você tentar vender uma banda por ai e pensar em atualizar o blog com a resenha de um show, bom ou ruim, que viu de uma delas. Pluralidade de idéias é legal, todos somos adultos e podemos compreender essa atitude, mas não era coerente. Foi ai que passei a me preocupar só com os releases dos eventos e bandas, correrias com Andy e Ramiro e meu trampo normal da rádio… Blog? Hum… virou um emulador constante de releases, como vocês podem conferir em alguns posts anteriores. Quando a Maamute teve seu encerramento oficial, o Ramiro escreveu um texto que esbanjou honestidade de uma maneira que eu nem me atrevo a tentar por aqui. A real esta toda lá. Não é papo de perdedor ou justificativa, é jogo aberto com todos envolvidos nos projetos. Público, bandas, donos de bares, jornalistas, produtores e demais. Sempre tomamos essa postura de abrir com todos nossas metas e objetivos. O final também não poderia ser diferente.
Nesse meio tempo eu e a Andy nos envolvemos com André Sakr para a criação da I_CWB. Esquema diferente. Trazer bandas gringas para a cidade e movimentar a todos com uma variedade sonora de primeira. Conseguimos isso com a vinda do Jon Spencer e o Heavy Trash, Nathan Bell, Yens Lekman… e o Júpiter Maçã, tocando ao lado do Koti e os Penitentes, Our Gang, Rosie & Me entre outros representantes da cidade. Esse projeto continua muito bem, mas eu também não faço mais parte dele. Não sou mais “sócio” mas continuo com minhas intromissões e uma quebrada de galho perdida aqui ou ali. Sakr e Andy já estão com uma agenda lindona pronta até o final do ano… é só aguardar.
Valeu pela experiência e desgaste? Muito. Assumir um papel nada confortável e conhecer o outro lado das bandas, donos de bares e jornalistas. Nem um pouco amistoso. Foi ótimo encarar isso e poder realizar algumas ações em outras áreas. Adiciona algumas inimizades. Pronto. Me sinto hoje bem a vontade em poder falar mais francamente de nossa pequena Curitiba e de seus personagens que povoam os distorcidos limites da cena musical local. Pelo menos eu fiz minha parte.
curitiba deluxe

por Rafael "Tomate" Dabul
subtropicália 2039
(…) A Rua XV ganhou uma cobertura para proteger seus visitantes da maléfica luz solar. A estátua do Homem Nu foi estéticamente adaptada para uma homenagem feita a memória de Oilman (ganhou um rabo de cavalo e teve sua superfície envernizada). O Passeio Público está com ares de Central Park e ocupa toda a área que ia do shopping Muller até o Mafalda e arredores. (…)
Esse é só um trecho do texto que eu publiquei na atual edição da Curitiba Deluxe. Foi um prazer enorme ter participado da número 12, já que sou um leitor antes de colaborador. Quem nunca topou com essa publicação pelos cafés, bares, restaurantes, lojas e até salas de espera espalhadas pela cidade? Pois é, da próxima vez pode levantar com ela e ir embora. Distribuição gratuita. Não é sempre que você encontra um material bem trabalhado e cuidado, tratando nosso cotidiano de forma madura e nem um pouco afetada. Dicas de restaurantes, ensaios fotográficos, baladas, moda, música e o constante tropeço em boas histórias. Tem gente que sabe como essa iniciativa é normal em grandes capitais espalhadas pelo mundo. Falta o curitibano descobrir isso. Heros Schwinden é guerreiro em peitar a existência da revista e toda a correria para a sua sobrevivência. Ainda mantém o blog e o twitter sempre atualizados, além de uma pesquisa de opinião para conhecer melhor você, que esta ai do outro lado e compartilha Curitiba com todos nós. Nem dói, é só clicar aqui e perder uns dois minutos.
Para a turma que não é dos pinheirais, vale conferir o conteúdo da revista aqui.
7ª Rock de Inverno!
Release: Cérebro Eletrônico + Guizado em Curitiba
São raros os casos em que o line up de uma festa é tão significativo quanto o escalado para se apresentar em Curitiba no próximo dia 4 de abril (amanhã). Reduzido, sim… três bandas. Mas um intensivão para entender as novas vertentes da música brasileira. Independente ou não… não interessa. O papo aqui é música.
Os trabalhos destes três nomes deram o frescor na trilha sonora de 2008. Os paulistanos da Cérebro Eletrônico e Guizado, junto com os curitibanos da ruído/mm, foram responsáveis por três influentes álbuns que marcaram o ano e ecoam por toda futura produção de 2009. Bem colocados nas listas de “melhores do ano”, queridos pelo público nos shows e agraciados pela crítica. Mais uma vez, os limites foram ultrapassados e novas possibilidades surgiram para quem quiser aproveitar. Mas, como reza a sabedoria popular, “cada um no seu quadrado”.
O Cérebro Eletrônico é colorido como o princípio da MPB. Abusa de referências retrós ao mesmo tempo em que soa extremamente atual. Em suas canções (sim, canções!) o pop, a música eletrônica, sonoridades brasileiras e o rock surgem naturalmente. Como se sua mistura simplesmente estivesse ali, pronta para ser explorada em letras sacadas. Lançaram o disco Pareço Moderno com as certeiras faixas “Dê”, “Os Astronautas”, a excelente “Talentoso”, junto com a composição que empresta o nome ao disco. Capitaneado por Tatá Aeroplano, o grupo é formado por Fernando Maranho, Fernando TRZ, Isidoro Cobra e Gustavo Souza. Figurinhas da cena musical paulistana com seus outros projetos, que vão de Jumbo Elektro e Trash Pour Quatro, até Dona Zica, Luz de Caroline, Zeroum, Frame Circus Junio Barreto... e assim corre a lista.
No mesmo princípio de combo com diferentes integrantes, chega Guizado e seus novos caminhos do jazz (mas jazz mesmo? Será?). O trompetista Guilherme Mendonça se apresenta em Curitiba ao lado do guitarrista Lúcio Maia (ele mesmo, da Nação Zumbi), Regis Damasceno e Rian Batista (ambos do Cidadão Instigado) e a ilustre presença de Curumim na bateria. Pela formação já vale o show… sem ao menos conhecer o trabalho da banda. Flutuando entre as batidas eletrônicas pós-modernas – revestidas pela acidez de um trompete mais do que orgânico – Guizado foi uma das grandes sensações de 2008 com o disco Punx. Após uma pausa nos shows, o grupo retoma suas atividades na capital paranaense com a promessa de apresentar as novas composições que estarão no próximo disco. Algumas com vocal…
Para completar a noite, nada mais justo do que a presença da ruído/mm e seus frutos colhidos após o lançamento do disco A Praia. Velhos conhecidos das noites nos pinheirais, a banda ganhou o público paulistano com suas três apresentações mais recentes e conta com todo um novo repertório. As texturas sinestésicas do septeto continuam soando universais, ao mesmo tempo em que fica claro seu berço no imaginário popular brasileiro.
(quer ganhar ingressos? vai la no INMWT e pergunte como…)
_04/04 – sábado
_Cérebro Eletrônico (SP)
http://www.myspace.com/cerebroeletronico
_Guizado (SP)
http://www.myspace.com/guizado
_ruído/mm (PR)
http://www.myspace.com/ruidopormilimetro
_John Bull Music Hall
(Eng. Rebouças, 1645)
_meia entrada custa R$20
(meia entrada – estudantes, doadores de sangue, doadores de 1kg de alimento e maiores de 65 anos)
_Pontos de venda:
John Bull Café – R. Comendador Araújo, 489
John Bull Music Hall – Eng. Rebouças, 1645
Lamb – R. Vicente Machado, 674
_Realização:
Maamute
Oxigênio
Pizzicato
_Informações:
3013 2700 / 3013-2707
via gringa
noite de sexta na internet?

goodbye blue monday / brooklyn
acabou de chegar esse mail do Cassim:
Aqui é o Cassim. Estou em NY e ontem nós (Cassim & Barbária) demos um
show explosivo no Lit Lounge. Hoje, sexta dia 6 tocaremos no Brooklyn
com a banda brasileira mais legal de NY, The Soundscapes. A BOA
NOTÍCIA é que vc vai poder asistir o show ao vivo, aqui:http://www.goodbye-blue-monday.com/
Cheque entre 12AM e 1h30 horário brasileiro dessa sexta.
E assim começa a turnê norte-americana deles…
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Lit Lounge | New York, New York | ||
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Goodbye Blue Monday w/ The Soundscapes | Brooklyn, New York | ||
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The Saint w/ Fun Machine/Zazen Boys | Asbury Park, New Jersey | ||
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Canadian Music Week 2009 – Holy Joe’s | Toronto, Ontario | ||
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O’Brien’s | Boston, Massachusetts | ||
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SXSW 2009 – The Rio | Austin, Texas | ||
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Tasty World | Athens, Georgia | ||
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Velvet Lounge | Washington DC | ||
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Johnny Brenda’s w/ Afterhours | Philadelphia | ||
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Kung Fu Necktie w/ Garotas Suecas | Philadelphia, Pennsylvania |
enquanto isso, hoje termina a mini-turnê que o Wandula realizou pela Suíça… é a segunda vez que eles tocam por lá como um trio (a formação atual conta com a Edith, Torrone e Felipe), e fizeram seis apresentações…
Freitag, 06. März ab 20.30h
Wandula-Trio in der Kulturbar Baradies in Teufen

a coisa está clareando e perdendo o controle por aqui… o público e a mídia curitibana terá de perder na marra esse comportamento mais provinciano (que vai dos extremos; a) negligenciar a produção local / b) tratar na base da “boa ação” ou c) achar o máximo e pagar de salvador da pátria fazendo o “favor” de investir e acreditar na cena) e aceitar de uma vez por todas esse sentimento cosmopolita empurrado pelas bandas que se jogam na estrada e fazem a coisa acontecer. Tem uma nova geração de consumidores locais que ja pensa assim…. nicho de mercado que não depende de rádio/tv/jornal… só internet e shows. Muitos shows…
Acredito mesmo que vai chegar um dia em que a música será tratada como música na cidade… até lá a gente vai aproveitando esse clima de euforia e descobertas. Cassim e Wandula são apenas dois exemplos para mostrar como a inserção de Curitiba no mundo, vai além de um mero “clique” do mouse…
Mais um: Scissor Sisters em Curitiba (CANCELADO)

Dessa vez foi Lúcio Ribeiro quem cantou a bola… e está confirmado.
A apresentação do grupo acontece mesmo no encerramento do Festival de Teatro de Curitiba, no final de março (lá pelo dia 29, talvez…). Eles sumiram… mas aproveitaram 2008 para apresentar uma série de gigs secretas em Nova York e testar o novo material. Pelos visto, o número de músicas novas passa de uma dezena…
Quem faz o show da abertura do festival (17/03) é o projeto musical neo-brega de Wagner Moura, o Sua Mãe. Aquele som que ele tentou apresentar no programa “Altas Horas”, enquanto Mallu Magalhães… bom, veja ai
Mais informações logo, logo…
Little Joy em Curitiba: Ingressos
Saíram as informações sobre a venda dos ingressos para a apresentação do Little Joy em Curitiba. Segundo posts deixados na comunidade da banda no orkut, ela começa amanha, terça-feira (20), em todas as filiais do John Bull na capital (Mateus Leme, Coronel Dulcídio e Engenheiros Rebouças). Mais infos sobre os endereços aqui.
Acabei de entrar em contato com a produção… o valor inicial do ingresso é 40 reais (este já é o valor da meia entrada para estudante, quem levar 1 quilo de alimento ou doadores de sangue). Serão vendidos aproximadamente 800 ingressos enquanto a casa tem capacidade para 1000 pessoas. Ou seja, se existir um segundo lote, pode ser que venha com outro preço.
bandas curitibanas vão para o inferno
bom dia, curitiba (em constante atualização)

Manhã de quarta-feira. Ensolarada e preguiçosa. As coisas continuam as mesmas por aqui; o centro silencioso e pronto para o natal, um vento gelado ainda insiste em bater e a molecada começa a gozar os primeiros dias de férias. Parques, shoppings e as praças do centro.
Enquanto isso, na internet, o Delta Cockers é destaque no Tramavirtual. Assim como Stella-Viva foi (aqui) e Ruído/mm também (aqui)… Bo$$ In Drama faz parte do Top 5 deles. E os reflexos da apresentação do Copacabana Club, na última sexta-feira na Funhouse (SP), reverberam hoje na Folha de SP. (no final da tarde desta quarta-feira a página do Myspace da banda marca mais de 3 mil visitas… só hoje)
Bom dia, cena curitibana.
(atualizando) O EP lançado por Giancarlo Rufatto e Ivan Santos ganhou nota 8,5 no Scream & Yell.
(atualizando 2) Agora, o Je Rêve De Toi ilustra a home do Tramavirtual. Todos os destaques de lá são de bandas curitibanas.
As atualizações continuam…
a estrada e como conhecemos nossos vizinhos
2h50 da madrugada de sexta para sábado. Em um lugar que o mundo lembrou de esquecer, no meio do interior paranaense, um microônibus estava parado no acostamento de uma estrada. Era daquele tipo “kinder ovo”, mas versão “especial para a Páscoa”. O pneu tinha furado e acordado todos os passageiros que, de um jeito ou de outro, começavam a se acomodar e (talvez) dormir. Ao contrário do que se esperava, a viagem seguia bem comportada até então. Fazia pouco mais de uma hora que estavam rodando, os últimos rastros de civilização ficaram para trás, a escuridão já tomara conta da paisagem, estrelas insistiam em aparecer no céu nublado e o esquema “oitava série” não tinha durado nem os 50 primeiros quilômetros. Por enquanto.
A essa altura, os 20 e poucos passageiros estavam no acostamento dessa tal estrada esquecida e reta, que mais parecia um cenário do Mad Max (como alguém lembrou na hora). Irônico, mas os motoristas trocavam os pneus em frente a uma borracharia fechada. Era uma pequena vila na beira da estrada, com suas discretas luzes espalhadas nos cantos das árvores e morros. Ninguém apareceu para sequer entender o que estava acontecendo. Mas, com certeza, sabiam que estávamos lá. Assim como, 14 horas depois, a população universitária de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, também tinha certeza disso: cinco bandas curitibanas chegavam com uma variedade sonora típica dos inferninhos noturnos dos pinheirais. Assim começou a epopéia rocker.
Quer dizer, começou bem antes. Organização da viagem à parte, sexta-feira (14) foi bem complicada. Passei o dia todo correndo para adiantar o trabalho e repensando se valia mesmo a pena encarar essa trip louca com cinco novas bandas da cidade, um microônibus e um festival no interior do RS. O esquema era brutal – sair meia-noite de sexta, passar em PoA, seguir para Santa Maria com chegada prevista para as 17h. Em um microônibus (já disse isso?) com 24 lugares ocupados, três vagos. As bandas tocam, todos entram no ônibus e voltam para Curitiba no domingo, sabe-se lá que horas… repensei muito os prós e contras disso, mas fui (e nem contava com o pneu furado).
As cinco bandas envolvidas na história eram Sabonetes, ruído/mm, Copacabana Club, Poléxia e O Lendário Chucrobillyman. Além deles, seguiam: Rafael “Tomate” Dabul, responsável pelas fotos; Andy, produtora da Maamute; Lâmpada, técnico de som e salvador da noite… E eu, para registrar tudo. Era a quarta edição do Macondo Circus, que agita uma vez por ano toda a vida universitária de Santa Maria, e tem um histórico bacana de vários line-ups com grandes nomes da cena independente nacional. Na mesma noite, tocariam Canastra, Do Amor, Apanhador Só e mais umas cinco ou seis bandas de lá. E essa era toda a informação inicial que tinha quando entrei naquele microônibus. Micro. Recheado de instrumentos, mochilas, amplificadores nos corredores e expectativa.
Logo de cara, uma boa notícia. PoA caiu fora do itinerário. Passaríamos por lá para pegar o Poléxia que tocava na sexta na capital gaúcha, mas eles deram um jeito com uma caravana que sairia pela manhã para o Macondo. Com isso, “ganhamos” algumas possíveis horas em Santa Maria. Já dava para fantasiar uma soneca, banho bem tomado, além de fartas e quentes refeições antes da maratona dos shows. Mas não foi bem assim… (Ah é… os quatro integrantes da Poléxia não estavam no ônibus na hora do pneu furado… então eram 20 lugares ocupados e sete vagos.)
Parecem bizarros esses comentários de horas exatas, números de assentos no minibusão, quilometragem e tudo mais… Eu estou até cansado de repetir essas informações (por mais que saiam naturalmente)… Mas o problema é que, neste contexto, era nosso único meio de ter noção de uma realidade. O resto dependia do motorista e do cenário plano e infinito dos amarelados pampas gaúchos.
“Faltam 300km…” “Faltam 3h…”
15h e 30 minutos depois, chegávamos em Santa Maria.
De cara, fomos recepcionados por uma lata inflável gigante da Sol. Cerveja! Fazia mais de 30 graus (bem mais) e essa imagem era tudo o que a maioria ali precisava (mais tarde, descobrimos que a cerveja que vendiam lá era Bavaria e Heineken… Sol o quê mesmo?).
O lugar era lindo e logo éramos recebidos por Atílio, um dos organizadores do festival. Pelo meio, tinham dois cachorros espertos e simpáticos, que ficaram circulando entre a molecada boa parte da noite. O terreno era em declive e o palco ficava no ponto mais alto. Na frente, um gramadão verde e brilhante, com cadeiras espalhadas, árvores nas laterais, o bar, mosquitos, banheiros e barracas. No segundo nível do terreno, dois campos de futebol e mais uma descidona que terminava em um lago com uma vista sensacional de Santa Maria entre as serras. Realmente, seria uma noite fora do comum. Sem fumaça e palcos apertados, luzes estouradas ou som ruim. O palco era alto e tinha um tamanho legal, sem firulas na iluminação… E bem arejado… Mas com mosquitos.
“Nossa, eu quase comi um mosquito agora”, dizia Camilinha no meio da apresentação do Copacabana Club. Era o segundo show do dia, e o festival de fato começou ali. O primeiro show, da banda Volantes, reuniu alguns poucos fãs e curiosos que começavam a chegar. Os Copas deram sorte de contar com uma platéia maior, reforçada pela simpatia da vocalista e de sua relação aberta com os mosquitos locais. A invasão curitibana tinha começado.
Camilinha, junto com o Luciano, Alessandro, Tile e Claudinha fizeram um show sem erros. Suas composições sempre soam como se já a conhecêssemos de algum lugar, com riffs e refrões pegajosos e espertos. Não foi difícil sacar, no meio do público, gente cantando as músicas (durante e após suas execuções), e é fato que a banda funciona melhor ao vivo do que em estúdio. A produção de seu primeiro EP é limpa e certinha. Não tem grandes surpresas… Diferente do Copacabana Club no palco. Mais sujo e cru, porém, longe de perder o charme e o diálogo com os espectadores… Sempre reforçado pela vocalista sem grande técnica, mas com uma voz naturalmente rouca (rouca?) e só dela. A banda flui com suas levadas urgentes e atuais… Encerrou o show com um público maior que o inicial e alívio estampado na cara.
O festival seguia seu curso e, desde já, quero fazer uma observação. Este relato não tem o objetivo de fazer uma análise de todas as apresentações do Macondo Circus. Até porque eu não vi os 15 (16? 14?) shows e também não gostei de muita coisa lá. Não ganho para escrever neste blog, assim, o único compromisso que tenho aqui é comigo e com você, que de alguma maneira se interessou pelo texto e continuou lendo até aqui. Ok?
A próxima curitibana da noite era o Sabonetes. Encararam logo de cara uma pedrada – tocar após a apresentação da carioca Canastra (que talvez tenha reunido o maior público da noite), e que fez um show fodão. Mistura malandra de rockabilly, com metais, baixão, topetes, camisas floridas e o Barba (ex-Los Hermanos) na bateria. Performance profissional, fazendo jus à tiragem de seu CD que saiu pela revista Outra Coisa no ano passado
Artur, Wonder e Caja, do Sabonetes, ganharam o reforço no baixo de Rodrigo Lemos, vocalista do Poléxia. E é definitivo. Salim saiu da banda, como você também leu por aqui, e a entrada de Rodrigo abre a possibilidade de um terceiro vocal, junto com Artur e Wonder. Na hora do show, nem parece que esta mudança é recente.
Fora dos palcos, o quarteto é calmo e descontraído… Conversam, brincam e parecem tocar um comportamento mais relaxado nesta vida que assumiram. Hoje, eles vivem de música, e isso é evidente na hora do show. Caja parece ser o mais compenetrado da história. Momentos antes da apresentação, andava para lá e para cá observando tudo. Hora estava atrás do palco fazendo alguma coisa na bateria, hora assistia quieto alguma apresentação, mas parecia sempre atento. Mantém essa postura no show, assim como os outros três integrantes. É incrível como o Sabonetes está grande no palco. Tudo em função da experiência que vem acumulando neste pouco mais de um ano e meio de estrada. A gente brincou sobre as primeiras apresentações deles nas tardes de domingo no Korova, e hoje a história é outra.
A escolha de repertório é bem distribuída, entre novidades e os agora hits do Myspace. O Sabonetes já tem uma cara própria e as músicas novas não decepcionam. Segue o esquema fora de contexto deles, que reverbera ares do atual rock mundial, junto com o tempero alternativo nacional… Mas sem prazo de validade. Puta clichê, mas pura verdade. É pop e “Descontrolada” também é bem conhecida por lá. Ponto para eles.
O clima já não estava tão “caloroso” como quando chegamos. A temperatura caiu drasticamente e os mosquitos tinham desaparecido, substituídos por uma fina chuva que insistiu em cair até de madrugada. E o vento… Cortando os ossos e encontrando espaços no meio do público e das roupas para gelar mais ainda. Como pode?
Foi aí que olhei em volta e comecei a refletir sobre o que estava acontecendo. Sobre como seria construído este relato, em como dava uma ponta de orgulho de ver as bandas curitibanas em um diferente ambiente, encarando novas caras, gostos e adversidades. Começou a me dar uma agonia sobre a produção deste texto… “vai ficar total chapa branca, as coisas estão indo muito bem por aqui”… E o Subtropicália então? Uma espécie de braço de assessoria para as bandas locais? Não! Qual deveria ser o real papel destas linhas virtuais para contribuir com o que acontece em CWB? E por que encontros como esses não acontecem lá? Por que não temos um festival? Por outro lado, é legal saber que nos raros bares que abrem espaço para shows em Curitiba, essa química pode rolar todas as noites… Ao mesmo tempo. Mas ver isso tudo aqui, concentrado em uma paulada só, é sensacional! Pirei…
Fui dar uma volta e passar um pouco mais de frio por lá…
Todos estavam envolvidos em seus universos. Mas com cara de cansados… Tomate corria toda vez que uma curitibana começava a tocar. Passeava com sua lente pelo palco, gramado e público. Lá no fundo, esquecido no vento e no chuvisco, Lâmpada continuava com seus milagres técnicos no som e quase passou como mais um membro da equipe do festival. Foi uma das principais figuras da noite, justiça seja feita. Andy era toda política, sempre conversando com alguém diferente, pensando em projetos futuros. E as bandas… É ótimo sacar o comportamento delas fora de seu habitat. Outro eleitorado… E nesta dimensão dá para entender como funciona a cabeça, comprometimento e foco de cada uma. Poléxia e Sabonetes passaram boa parte do tempo com novos amigos da estrada. Bandas, produtores e fãs que conheceram pelas andanças e agora os reencontravam. Koti, o Lendário Chucrobillyman, passou quase toda a viagem quieto (“mas eu sou quieto mesmo”), e estava mais ou menos neste clima… pra lá e pra cá. Os Copacabanas gozavam a sensação de dever cumprido e conversavam com fãs, tiravam fotos e davam autógrafos (sério). Alessandro até resolveu botar para fora sua “simpatia” e começou a interagir com os shows e músicos. Mais do que em sua própria apresentação. Subiu ao palco durante o show da carioca Do Amor. Dançou e rascunhou um mosh que terminou meio mal. E não seria a única vez que ele faria isso…
Tudo acontecia enquanto o ruído/mm sofria pela angústia da espera (eram cotados para tocar às 11h da noite, mas foram transferidos para as 2h da manhã) e passavam por um estágio de início de “ressaca”, misturada com ansiedade e mais cerveja. Assim eles subiram ao palco…
O show da ruído foi bom e ruim ao mesmo tempo. Estranho, para ser mais sincero… Quem conhece a banda no palco se perdeu um pouco junto com eles (meu caso). Quem não conhecia o som entrou no clima e se divertiu. Então, dá para dizer que eles saíram no lucro. Não existe mistério – som instrumental com surpresas distorcidas, mescladas com sutileza e momentos de devaneio. Daí para diante é contigo. O silêncio e a afinação do som eram tamanhos que dava para ouvir o cooler do computador do palco vazando nas caixas, como observou Rodrigo Lemos. “É o clima ‘praia’ da história”, comentou, todo engraçadão. Ali, estava o paredão de quatro guitarras (Pill, Rafa, Ramiro e Johnny), o baixo de Rubens, a batida precisa, firme e na medida das baquetas de Giva, e o teclado sem som algum nos fundos, comandados por Liblik, que infelizmente não teve solução.
De repente, eles saem do protocolo “ruidoso” da banda e começam a…. improvisar. Ou algo do tipo. Logo, Camilinha e Alessandro (novamente ele) subiam ao palco para participar da pajelança noise. Camilinha com uma meia-lua e Alessandro emitindo sons no microfone. Deu certo e talvez tenha sido um dos momentos mais legais do show. Isso só reforçava meu orgulho de estar lá testemunhando essa zona toda, e aumentando mais ainda minhas questões internas.
A apresentação terminou com menos público que o inicial… O som da banda não é dos mais fáceis, mas a chuva e o frio contribuíram bastante com o resultado final. Quem ficou gostou. E foi neste clima que aconteceu um dos principais fatos da noite. Só podia vir dele, o Lendário Chucrobillyman.
Não demorou muito para Koti se ajeitar lá em cima. O esquema bumbo, prato, corneta, megafone, guitarra e microfone é bem prático e sacado. Ele não precisa de mais nada. Pouco se entende das letras ou comentários do Chucrobillyman no palco, o megafone tem o poder de distorcer tudo. Mas a guitarra fala por si. Simples, direta e rasgada. O rock tocado por ele transcende qualquer rótulo. Quem gosta de música vai curtir seu som sem rodeios. Simples mesmo. Assim que começou o show, ele já reunia uns poucos corajosos que gritavam na chuva. Primeiro, estourou uma corda. Pausa. Na música seguinte, o PA ia para o saco. Outra pausa. E todos permaneciam ali…
Aí, baixou o santo. 27 horas depois que tudo começou, de uma noite na estrada mal-dormida, pneu furado, chapações, salgados e refeições frias de postos de gasolina, calor, a eterna espera da chegada, frio, cagadas em banheiros nojentos, banhos de calha, sono, picadas de inseto, enjôos, corpo dolorido pelo aperto do ônibus, roupas molhadas pela chuva, dores de cabeça e tudo mais que você pode imaginar em uma situação dessas (que realmente gera sentimentos e sensações inesperadas), depois disso tudo, aconteceu um momento… mágico.
…”mágico” não, foi foda mesmo…
Antes de retomar o show, O Lendário Chucrobillyman disse no microfone “todo mundo sobe aí no palco”. De repente, o lugar era tomado por umas 40 pessoas que dançavam ao redor dele. O verdadeiro sentimento de um festival de rock surgia ali, pela primeira vez, às 4h da manhã. Justamente quando a barreira vertical hierárquica entre artista e público foi quebrada. Todos estavam juntos e curtindo da mesma maneira. Pulavam, dançavam, gritavam e cambaleavam cada um do seu jeito. O pequeno e quieto Koti foi cercado por esse bando de loucos e parecia se sentir em casa, enquanto tropeçavam em seus pedais ou esbarravam nos amplificadores. Não existia mais chuva, frio ou cansaço… Só a música. Todos tinham certeza que, naquele momento, ali era o melhor lugar para estar em todo o país… Se não sabiam disso, aproveitavam como se fosse a única oportunidade. Lavou nossa alma e durou umas três músicas… Até a hora que o Atílio, da organização, parou tudo e lembrou que não era nem um pouco seguro aquele monte de gente estar pulando e se quebrando no palco. Momento de sanidade. Poderia acontecer uma tragédia…. E tudo terminou. Inclusive o show.
Era isso. Valeu a pena. Justamente por este sentimento. Esse estouro de adrenalina sonora acumulada desde a hora que entramos no ônibus e que só aumentou com o decorrer das apresentações… Gritar! A liberação de uma energia que você tinha esquecido que existia. Os limites do seu corpo indo para a unha do dedão… Por isso estávamos ali… E essa descarga toda era um dos fatores que poderia complicar a vida do Poléxia, que se apresentaria logo em seguida… Poderia…
O quarteto formado por Rodrigo, Eduardo, Francis e Neto arrumou tranqüilamente seu equipamento. A maioria do público já tinha debandado e não presenciou a elegância que o Poléxia esbanjou no palco. “Vamos agora começar nossa apresentação… após o lendário show d’O Lendário Chucrobillyman”, brincou Rodrigo logo de cara. Começou a quebrar o gelo aí. Eles baixaram o ritmo da madrugada com a maior classe, como se acompanhassem os suspiros e cansaço de todos presentes, uma pré-canção de ninar. Nem por isso foram parados ou enfadonhos, muito pelo contrário. Já vinham de uma apresentação “estranha” na noite anterior (segundo eles), e só tocaram quatro músicas. Uma adaptação de “Rational Culture”, do Tim Maia, e finalizaram com a execução de seu novo single, a faixa “Você Já Teve Mais Cabelo”. Uma amostra desta nova fase do Poléxia e de mais testes dentro dos possíveis limites criados pela banda. Subiram, acalmaram nossos ânimos e se foram. Nos deixaram no ponto para embarcar no microônibus e voltar para casa. Os shows não pararam… Tocariam mais umas três bandas (com Apanhador Só entre elas), mas o corpo clamava por nossa volta para casa…
O retorno foi mais rápido. Todo retorno é assim.
Sem pneus furados ou grandes surpresas. Só conversas e diferentes impressões jogadas ao vento que entrava pela janela. A preguiça típica de um domingo qualquer presente conosco. E a trip foi chegando ao seu final, recebida por uma chuva torrencial em Curitiba às 19h. Quase 44 horas depois que tudo começou. Ficam as impressões… para Sabonetes, Poléxia e Chucrobillyman foi mais uma gig em outra cidade… Ruidosos e Copas podem encarar como um reforço nesta nova vida da estrada que se abre para eles… E o Subtropicália já esta mudando…
Quando chegamos, Curitiba era a mesma.













