Archive | dezembro, 2008

2008

23 dez
2009, o ano do Boi Fogo... previsões?

2009, o ano do Boi Fogo... previsões?

 

Sumi… é verdade. 2009 já começou por aqui.

O que dá para adiantar é que as coisas estão ficando grandes, organizadas e recheadas de perspectivas. Corrida para agilizar uma série de ações e planos de dominação global… A primeira “Invasão Curitibana” do ano é daqui a pouco… assim como o Little Joy, Radiohead, Kraftwerk… sem contar no Wilco e Silver Jews dividindo o palco com uma banda curitibana… 2009, minha gente…

Por isso que é valido darmos uma repassada em 2008. Um exercício mental e extremamente aleatório, de lembranças e momentos marcantes sem o menor critério de pesquisa… (jornais e TVs já fazem isso)… o clima aqui é de associação imediata …. e sem maiores rodeios dá para dizer que 2008 foi um ano louco. Do hype de Obama aos problemas de saúde de Fidel… da exploração midiática desenfreada de crimes com crianças, até consequências trágicas de finais de namoros conturbados… Bettie Page se foi… a Dercy também. O iPhone no Brasil, crise econômica, Chinese Democracy, olimpíadas, sapatos voadores, New Kids On The Block, terremotos brasileiros, enchentes e mobilização social, Ronaldo no Corinthias… poucos fatos entre o oceano de informação que surge ao pensar no ano que passou… Tudo devidamente registrado e explorado por ai.  

Nossa história aqui é música, e a relação é a mesma. A chatice pop-mela-cueca com a previsível música eletrônica foram os pontos baixos e perderam a vez. Comemorações na volta triunfal da psicodelia, com ares progressivos, e apelo visual acessível. 2008 foi o ano do folk mas a psicodelia estava ao seu lado colocando em cheque aquela teoria dos resgates culturais que acontecem a cada 20 anos… não deveríamos entrar no resgate dos 90’s? Até acontece… mas os anos 70 estamparam suas cores, batidas e chapações. Pelo visto o resgate de duas décadas é feito direto nas raízes…

Curitiba mudou. Os bares reabriram para shows, o público voltou a prestar atenção nas bandas locais e o resto do país (e mundo) também. O tesão voltou a circular entre músicos, produtores e jornalistas da cidade (olha eu aqui com outro blog). Foi criada uma cena para exportação… de forma espontânea e nem um pouco calculada. Como de costume, sempre são as mesmas pessoas que produzem música por aqui (fora raras novas exceções), e de uns tempos para cá deixamos de visualizar um cenário da forma distorcida como a que perambula pelos bares e inferninhos da cidade… mas a sintonia no discurso entre as bandas, com suas metas, objetivos e desapegos, chamou atenção do público de fora. Repito, temos uma cena… mas para exportação. A desconfiança que rege as relações na cidade começa a cair… o pensamento mais lógico é que se o curitibano é o público mais crítico e exigente do país, logo o músico nascido aqui tem uma auto-crítica elevada… e culhões para encarar os palcos.

A dúvida que resta é saber se a banda vai ser realmente reconhecida e consumida por aqui, antes ou depois de ganhar o mundo… isso não dá para prever. 

Todo esse papo começou como uma introdução a lista de melhores do ano do Subtropicália. Mas ficou grande e com ares de post independente… a lista vem ai, com os 5 destaques nacionais e internacionais de 2008. Listas são sensacionais…

… e que venha 2010, porque 2009 já esta ótimo.

Quinta e Sexta

10 dez

 

 

 

Entao…. ficou bem complicado esse lance de montar uma agenda todas as semanas…. mas os flyers estao ai!

matinhos sound system*

10 dez

“Polêmica” na high society curitibana:

“Mas, o que se quer chamar atenção aqui é para uma questão mais velha do que andar pra frente: nós, paranaenses, somos os coitadinhos da Federação e vamos continuar a sê-lo enquanto não valorizarmos o que acontece aqui, dentro do nosso mapa. Para começar, como é que uma banda de Curitiba se chama “Copacabana Club”? Talvez pela sonoridade, mas se a coisa for por aí, por que não “Caiobá Club”? Não é tão bonito quanto? O fato é que temos vergonha do nosso quintal, espécie de baixa auto-estima permanente, e isso sempre nos faz desvalorizar aquilo que produzimos com tanta dedicação.”

Pois é… mas discursar sobre desvalorização da cultura regional, só depois de uma manchete da Folha de SP (sim, de São Paulo), pega meio mal…

E ai segue a resposta da “Caiobá ClubE”, aqui.

 

*ok, esse papo já é “velho” no twitter e nem vale prolongar demais (a não ser pelas boas risadas)… mas a discussão sobre possíveis novos nomes para os Copas segue bem boa. O título desse post mesmo é uma sugestão do Túlio lá nos comentários do blog deles.

bon iver e a nostalgia

9 dez

 

Bon Iver - Bowery Ballroom / 29-07-08 (foto minha)

Bon Iver - Bowery Ballroom / 29-07-08 (foto minha)

 

Aproveitando essa euforia toda em cima do disco “For Emma, Forever Ago”, do Bon Iver, lançado de forma independente no final do ano passado e em fevereiro pela Jagjaguwar e 4AD… bateu uma nostalgia. Vi uma apresentação dele em julho e foi marcante (piegas, não? mas é verdade). Ai lembrei desse relato cru e em ritmo de férias que fiz para meu antigo blog. Nada de muitos detalhes ou observações mais técnicas e/ou “filosóficas”. Tava na boa, de férias, bêbado e resolvi comentar…

Justificativas terminadas… segue o pequeno relato:

 

Ontem rolou o show do Bon Iver no Bowery Ballroom (NYC)… Ele consegue ir de Coldplay a Sigur Rós com um toque…. vai aos extremos com levadas tranquilas e bonitinhas que se transformam em paredões de distorção e caos…. funciona muito bem ao vivo, melhor do que eu esperava e exatamente no clima que paira por todo o Brooklyn neste verão…. pelo menos aqui os anos 80 acabaram ano passado (em partes, né) e o que rola pelas ruas de Williamsburg mais parece uma celebração hippie pós-moderna…. sim, estranho pacas mas a primeira impressão é essa (dá um desconto… cheguei domingo por aqui!)

Voltando ao Bon Iver…. o show inteiro foi com as composições de seu primeiro disco “For Emma, Forever Ago”… Justin Vernon é o grande cabeça da historia e até brincou com isso dizendo ” temos que tocar todas as músicas do disco… nada de novo… desculpa ai gente, ser headliner sem ter muito repertorio dá nisso..” 

Segue um trecho que eu peguei da faixa “Skinny Love”… logo no começo do show e mesmo sendo o grande sucesso deles, foi a mais “mais ou menos” da noite…. 

 

 

a menina que antecipou o refrão foi bem fofa…. mas o silêncio era tão grande que dava para ouvir o som do ar-condicionado…

Esse relato foi devidamente salvo na época pelo Denis, no INMWT… falando no vizinho, se você estiver procurando o novo EP do Bon Iver, “Blood Bank”, clique aqui e aproveita…  será (mesmo?) lançado em janeiro.

 

bandas curitibanas vão para o inferno

5 dez

Incrível. A semana começou normal… deu um nó na quarta e termina assim: uma frota de músicos da cidade sai da neblina angelical e se joga nas chamas do capeta (e lá vamos nós em mais uma trip insana). Aqui. 

enquanto isso… a agenda dos Sabonetes…

“Sketches of Sao Paolo” (punx e o jazz)

3 dez

foto de Fabio Ahmad

Guizado é mais um sinal dos tempos. O projeto paulistano encabeçado por Guilherme Mendonça já entrou para o ranking de melhores do ano com o lançamento do disco “Punx”. O motivo? Bom, só em uma primeira escutada lembra a ousadia do álbum “Bitches Brew”, de Miles Davis, com a sujeira pós-moderna do duo francês Justice. Mas como eu disse, isso em uma primeira escutada. 

Eu sempre reclamei sobre a tal vanguarda do jazz. Esse bendito gênero que tem a capacidade de conviver com diferentes períodos ao mesmo tempo em um ciclo atemporal. Diálogos entre presente, passado e futuro, com novas produções que passeiam pelo swing, bebop, free, cool, fusion e eletrônico, sendo lançadas todas as semanas. Para ouvir isso eu prefiro continuar com os clássicos. Sem nenhum ressentimento. Só Miles Davis produziu material para uma vida inteira de descobertas musicais. Duke Ellington, Mingus, Coltrane, Monk, Piazzolla, Jobim e alguns outros ilustres também já são mais do que suficientes para outras vidas. Qual o motivo para eu e você nos desgastarmos com novidades que rascunham mais do mesmo? E o gênero eletrônico tem que tomar cuidado… já está caindo em um lugar comum que ofusca seu brilho inicial dado nos últimos sopros de Miles (de novo ele).

Porém, novas frentes jazzísticas que merecem atenção surgem em Quioto, Berlim, Chicago (material para outras conversas) e São Paulo. Ah, São Paulo… talvez a grande inspiração para o Guizado. Mas será que “Punx” é um disco de jazz? Uma produção que aponta uma nova etapa do que pode ser feito em um dos principais estilos musicais, surgidos no início do século passado e responsável por tudo o que escutamos hoje? Tudo mesmo. Perguntas e mais perguntas que só tornam o trabalho de Guizado mais intrigante.

“… Guizado is not jazz” é a resposta para uma das perguntas que está presente em um texto inicial de sua página do Myspace. De fato, ele não é… mas ao mesmo tempo é. Não carrega nenhuma convenção do estilo… mas o espírito esta lá, capaz de conviver com uma babilônia sonora… mas não “organizar”. Os sons surgem naturalmente. A trangressão, o uso dos instrumentos e sintetizadores a favor da música, longe de virtuosismos punhetais e egoísmos típicos de um frontman qualquer que sofre de “paulemolência” (como diria Lobão). Mendonça, teoricamente, é o principal figura dessa história e em alguns momentos só entra para dar uma pincelada nas cores da música. Isso já é jazzy o suficiente.

Ele também esta longe da figura estereotipada do jazzista. Nada de ternos alinhados ou roupas hippies, chapéu e discretos óculos escuros, como ele mesmo assume em uma entrevista dada para a +Soma, que pode ser vista aqui. Entra em cena a calça larga e o boné típico do hip hop. Assim como em suas músicas. Junto com o rock (e o post-rock), sons latinos, africanos, psicodelia e batidas eletrônicas. Cai Duke Ellington como despertador musical e entra Jimi Hendrix. Kerouac flutua com suas idéias. E São Paulo se ouve ali. O noir esfumaçado é substituído pelo graffiti colorido. Isso tudo você pode ouvir em suas declarações lá no vídeo da +Soma (de novo, aqui).

Por isso Guizado é um sinal dos tempos. Capaz de assimilar toda uma herança musical e mais do que diversificada do século XX, com ecos de uma vanguarda paulistana e muita personalidade. Ele conseguiu resumir o (bom) som da capital paulista em um disco. Lá você pode identificar o rigor distorcido do Hurtmold, junto com melodias arrastadas do Cidadão Instigado; a atitude do Instituto e a sagacidade do Curumim. E garoa. Isso também acontece porque ele chega acompanhado por músicos integrantes das bandas citadas. Curumim é o responsável pela bateria, dividida com M. Takara durante as gravações. Ainda conta com o baixo de Ryan Batista e Regis Damasceno na guitarra – ambos do Cidadão Instigado – o acompanhando nos shows.

Trilha para um passeio do Blade Runner pela Rua Augusta enquanto policiais sacam as “primas” que passam em frente ao Ibotirama, e ouvem Fela Kuti ao lado de uma mesa cheia de meninas tatuadas. O caos e a solidão em clima futurista de festa e batuque. “Punx” é pós-moderno pacas (e isso está longe de ser uma observação cabeçuda). Um bê-a-bá para jovens e veteranos em campos experimentais.

A faixa “Rinkisha” mais entrevista no Tramavirtual.

“gameboy”!

 

(alguém sabe de quem é o crédito da foto que abriu o texto? o denis, inmwt, descobriu!)

bom dia, curitiba (em constante atualização)

3 dez

Manhã de quarta-feira. Ensolarada e preguiçosa. As coisas continuam as mesmas por aqui; o centro silencioso e pronto para o natal, um vento gelado ainda insiste em bater e a molecada começa a gozar os primeiros dias de férias. Parques, shoppings e as praças do centro.

Enquanto isso, na internet, o Delta Cockers é destaque no Tramavirtual. Assim como Stella-Viva foi (aqui) e Ruído/mm também (aqui)… Bo$$ In Drama faz parte do Top 5 deles. E os reflexos da apresentação do Copacabana Club, na última sexta-feira na Funhouse (SP), reverberam hoje na Folha de SP. (no final da tarde desta quarta-feira a página do Myspace da banda marca mais de 3 mil visitas… só hoje)

Bom dia, cena curitibana.

(atualizando) O EP lançado por Giancarlo Rufatto e Ivan Santos ganhou nota 8,5 no Scream & Yell.

(atualizando 2) Agora, o Je Rêve De Toi ilustra a home do Tramavirtual. Todos os destaques de lá são de bandas curitibanas.

As atualizações continuam…