nota…

5 ago

agora é a hora de alguns esclarecimentos.

O blog meio que voltou por causa desse texto que eu publiquei na Deluxe. O “Subtropicália 2039” me deu um gás para poder falar da cidade novamente… Desde dezembro do ano passado eu me envolvi com trabalhos de produção por aqui. Coisas que nunca me interessaram muito, mas que surgiram com as pessoas certas em um momento que parecia ideal. Assim, André Ramiro e Andy Andrade me convidaram para entrar na Maamute, com o gigantesco plano de trabalhar com bandas curitibanas de forma profissional; negociar caches legais, correr atrás de constantes shows dentro e fora da cidade, além de resolver toda a história de releases, fotos, blogs… eram 19 bandas ao todo e não faltaram conselhos de amigos produtores de que a carga era pesada para três pessoas. Sabíamos disso mas estávamos no gás. Alguém tinha que começar/continuar/retomar. Um geólogo-músico-designer, uma produtora nata e eu, o jornalista.

Só que não é fácil você tentar vender uma banda por ai e pensar em atualizar o blog com a resenha de um show, bom ou ruim, que viu de uma delas. Pluralidade de idéias é legal, todos somos adultos e podemos compreender essa atitude, mas não era coerente. Foi ai que passei a me preocupar só com os releases dos eventos e bandas, correrias com Andy e Ramiro e meu trampo normal da rádio… Blog? Hum… virou um emulador constante de releases, como vocês podem conferir em alguns posts anteriores. Quando a Maamute teve seu encerramento oficial, o Ramiro escreveu um texto que esbanjou honestidade de uma maneira que eu nem me atrevo a tentar por aqui. A real esta toda lá. Não é papo de perdedor ou justificativa, é jogo aberto com todos envolvidos nos projetos. Público, bandas, donos de bares, jornalistas, produtores e demais. Sempre tomamos essa postura de abrir com todos nossas metas e objetivos. O final também não poderia ser diferente.

Nesse meio tempo eu e a Andy nos envolvemos com André Sakr para a criação da I_CWB. Esquema diferente. Trazer bandas gringas para a cidade e movimentar a todos com uma variedade sonora de primeira. Conseguimos isso com a vinda do Jon Spencer e o Heavy Trash, Nathan Bell, Yens Lekman… e o Júpiter Maçã, tocando ao lado do Koti e os Penitentes, Our Gang, Rosie & Me entre outros representantes da cidade. Esse projeto continua muito bem, mas eu também não faço mais parte dele. Não sou mais “sócio” mas continuo com minhas intromissões e uma quebrada de galho perdida aqui ou ali. Sakr e Andy já estão com uma agenda lindona pronta até o final do ano… é só aguardar.

Valeu pela experiência e desgaste? Muito. Assumir um papel nada confortável e conhecer o outro lado das bandas, donos de bares e jornalistas. Nem um pouco amistoso. Foi ótimo encarar isso e poder realizar algumas ações em outras áreas. Adiciona algumas inimizades. Pronto. Me sinto hoje bem a vontade em poder falar mais francamente de nossa pequena Curitiba e de seus personagens que povoam os distorcidos limites da cena musical local. Pelo menos eu fiz minha parte.

4 Respostas to “nota…”

  1. Denis agosto 5, 2009 às 5:38 pm #

    Como falei pro Rufatto, dia desses, qdo bandas como o Poléxia (ou, no caso, o duo Je Rêve) acabam, eu (um zé ninguém nessa história, eu sei) me sinto um tanto responsável. Se os projetos findam, as parcerias se desfazem, as bandas desaparecem, creio que temos de assumir a nossa parte nesse bocado e dizer, sim, que também somos culpados. Alguns como profissionais da área, outros como simples consumidores. Afinal, compromisso com a cultura da nossa região envolve todos estes citados, portanto quando a cidade vai bem ou mal, isso sempre se deve a sua gente e isso é dito no geral. Por enquanto, e particularmente, continuo entusiasmado, principalmente devido à quantidade de coisas legais que existem por aí (ruim seria se a produção estivesse escassa). Isso quer dizer que a cidade é fértil, faltando pessoas competentes (aí, os profissionais e meios) pra adubar direito essa terra, certo? Na ponta de baixo da tabela está o público, infelizmente, pois ele poderia estar é lá em cima, nas cabeças, mas aí é exigir demais. Resta aquela frase que eu não gosto, que é o “eu fiz a minha parte”. Não gosto porque pra levar a coisa adiante há que se fazer mais que a própria parte, pois se cada um cuidar do próprio cercadinho, a coisa fica estagnada. Porém, é claro que eu sei que fazer mais do que a própria parte é foda e dá raiva, principalmente quando ao fazê-la você percebe pessoas, que serão favorecidas e que deveriam estar lhe ajudando, essas pessoas lhe puxam para trás, tornando o peso ainda maior e o desgaste monstruoso. Eis o pouco do que aprendi ao me meter, nesse meio, por isso que hoje eu estou procurando fazer a minha melhor parte, mas não tanto mais nessa área, você sabe. Pois, nesse segmento, estou no cercadinho, no máximo aceno para os vizinhos. Vida longa a você Guga e a esse Subtropicália. Estou ali do lado, qualquer coisa…

  2. subtropicalia agosto 5, 2009 às 6:10 pm #

    claro, meu!
    a minha parte foi feita como produtor. Fui lá, vi como é que funciona, e a Maamute realizou uma série de coisas legais. Nesse sentido eu me sinto bem. Agora a “minha parte” como jornalista/blogueiro continua e cresce cada vez mais. A Maamute nao terminou pq perdemos a esperança na cena. Pelo contrario. Acabou por uma serie de motivos que nao nos permitiam total dedicação (vc sabe disso). Posso colaborar mais como jornalista do que como produtor em Curitiba… essa experiencia tbm valeu para sacar isso. No geral concordo contigo… isso aqui foi um desabafo mesmo.Pode ter certeza que voce foi um grande referencial e parceiro nessa historia toda =) Valeu!

  3. Tábata agosto 10, 2009 às 3:33 am #

    Eu que acompanhei pela beirada tudo isto que vc citou, sou testemunha do seu gás e sei que vc sempre vai fazer a sua parte, de um jeito ou de outro… E olha que vc nem é oficialmente da terra do leite quente… Super orgulho! ;D

  4. ramiro agosto 10, 2009 às 4:48 pm #

    Valeu a pena, manobrown! uhuhu
    O que importa é que rolou. Seja por um mes, um ano, uma década, nada é pra sempre.🙂
    abs

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