Arquivo | outubro, 2009

#pagodeversions estréia em curitiba

28 out

e não é que ele conseguiu? alguém tinha dúvida? nem o pedro (do chip) aguentou…

Túlio Bragança começou como fanfarrão das vinhadas da Federal e logo se tornou mais um exemplar de artista independente curitibano com a banda Johnz. Foi para Buenos Aires, montou jingles com Peter e Stewie Griffin, ganhou status de celebridade virtual com o blog Aires Buenos, refletido no twitter, deu uma canja aqui no subtropicália (1 ano atrás)…

… e criou o pagodeversions…

A estréia universal do pagodeversions nos palcos vai acontecer dia 8 de novembro, em Curitiba. No Guarinha (sim!) junto com o Terminal Guadalupe (não!)

“oremos…”

Todo mundo já conhece a história… ou ouviu falar. Versões acústicas e em inglês de clássicos do pagode noventista que martelam nossas lembranças. Ele sempre defendeu o estilo em suas twittadas… assim como toda uma estética trash dos anos 90. Tá ai o resultado (la pelos 5 minutos de vídeo).

Luciano Huck, G1, Uol e companhia que o digam…

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sabonetes – “quando ela tira o vestido” (video)

27 out

estréia hoje no youtube mais próximo da sua casa… semana que vem na mtv

Wonder manda avisar que o vídeo foi todo produzido pelos integrantes do Sabonetes e amigos, em três dias de gravações pela Vila Madalena (SP). Lembra das agendas deles? então… versão estendida.

salve!

dia 4 de novembro eles voltam para a fria e molhada Curitiba (será?) e tocam no Slainte… festa de lançamento do vídeo.

rain machine – “give blood” (video)

27 out

novo ep do hotel avenida

26 out

hotel-avenida-ep

E aqui estamos nós na rede de blogs e sites organizada pelo pessoal do Hotel Avenida para divulgar seu mais recente trabalho. Ta vendo? Não precisa reclamar muito de complicações com divulgação… é só ter boas idéias. Basta clicar aqui (ou na imagem) e baixar o disco lançado hoje. Pronto.

Mais um EP que ganha formato físico e virtual… mas que segue uma proposta acústica. Nada distante da linha utilizada pela banda, um encontro de gerações curitibanas bem interessante, capitaneado por Giancarlo Rufatto e Ivan Santos, ao lado de Carlão Zubek, Allan Yokohama, Igor Ribeiro e Eduardo Patrício.

Lá está a verdade crua na faixa “Zelo”, a inocente e ensolarada “Um Centavo”, junto com “Só o amor pode partir seus joelhos” e “Nas profundezas do coração do fundo do copo”. Com esses dois últimos títulos eu deixo minhas comparações de lado e dou espaço para a surpresa. Chutei a casinha. Detalhe na refinada escolha de versões usadas (um tapa de luva bem humorado na ditadura dos covers… hum….), com novas roupagens para “Nuvens de Lágrimas”, registrada por Roberta Miranda e Fafá de Belém (aham) e “Meu Abismo, Meu Abrigo” do Lobão.

Sexta-feira (30) eles tocam no Jokers, junto com o Plêiade.

escatologia comportada

20 out
foto: @yadayadayada

foto: @yadayadayada

I – o rio de janeiro curitibano

Se você acompanha bem de longe o que rola em Curitiba, com certeza já ouviu falar nestes dois nomes. Bonde do Rolê e Copacabana Club. O primeiro foi direto para a gringa e tem gente que até hoje pergunta de onde esse grupo de funk-carioca-sem-etiqueta surgiu. “é daqui mesmo? como assim?”. O segundo já é uma promessa pronta, agradou ao público, crítica, donos de bares, rádios, músicos, molecada, indies velhos, mtv, levis, kanye west e os curiosos de plantão. Consumido de todas as maneiras para ninguém carregar o peso da omissão nas costas. A comida de bola com os Rolezentos ainda martela a cabeça de alguns jornalistas e público por aqui… Agora, todo mundo quer tirar uma lasquinha dos Copas.

Duas facetas escancaradas. A sensual malandragem dos morros cariocas disputando espaço com a importada e elitizada “princesinha do mar”. Impressionante como dois lados do Rio de Janeiro são absorvidos para buscar uma noção de brasilidade nos pinheirais. Cada um de um jeito… e com identificação declarada. Lindo. E foi esse duelo musical que o reduzido público presente testemunhou. Um capítulo da recente história musical alternativa da cidade… “Alternativa” no caso é o que NAO é psychobilly, NAO é hardcore, NAO é emo, NAO é hip hop, NAO é eletrônico (hum), NAO é pop (huuum…), NAO é mod…

… é o que sobra. E a sobra é grande.

Mas funk carioca universal? Só em Curitiba isso poderia acontecer. Uma forma de chocar as pessoas e modernets de plantão… uma brincadeira de mau gosto, feita por NAO músicos sem noção. Só daria certo aqui…

II – carnaval de bosta

(Deixo aqui as descrições sobre a noite e entrevistas para o Felipe Gollnick, do Defenestrando. Pulo direto para os shows)

Enquanto é bonito ver o Copacabana Club no palco, a experiência sensorial de uma apresentação do Bonde do Rolê pode não ser das melhores. Sons, cheiros e gostos (para quem ficou perto do palco) misturados ao batidão pop esquizofrênico.

Os Copas não contam só com a simpatia e charme das danças hipnóticas de Caca V. Ou das coxas da Claudinha… a guitarra levantada do tímido Alec ao lado de Tile, que as vezes fica de costas para o público e “bate a cabeça” quando é mais exigido no baixo. Muito menos do Rafa Martins, que acaba de assumir o lugar de Luli Frank na guitarra… é todo o conjunto da obra. O Copacabana Club é uma banda de palco. Se você nunca viu uma apresentação deles, não julgue pelas primeiras escutadas. Eles ainda ganharam o reforço das bases de Rodrigo Stradiotto, produtor do EP. De um jeito ou de outro as composições acabam caindo em algum lugar comum da música alternativa, mas é bem feito. Contagia. Seus ouvidos e olhos agradecem o espetáculo. E eles retribuem os agradecimentos. “Obrigados” e mais “obrigados” de todos os lados…

“Retribuir” foi um dos pontos de partida do Bonde do Rolê. Eles não tocavam por aqui há 3 anos. Na época,  já tinham sido reconhecidos pela Rolling Stone gringa, esboçaram uma turnê americana ao lado do CSS e Diplo, e estavam na capa do Estadão e Folha (com uma possível série de shows que aconteceu na Europa, lembrada pelo Pedro). Enquanto poucos veículos de comunicação locais dedicavam algumas palavras a eles. Foram duas apresentações antes de partir para os Estados Unidos. A última, ao lado do CSS, para um público de quase 30 pessoas (eu estava lá). Quase não receberam o pagamento. Se é que receberam.

Ai a equação fica bem fácil de resolver: o início conturbado na cidade + total ausência de noção + tendências escatológicas = a um show de bosta. E foi isso. O Bonde do Rolê veio para jogar a merda no amplificador… mas segurou a onda. Os preparativos para as “fezes artificiais” (antes que alguém ai se incomode com o sentido literário do termo… “bosta”), à base de chocolate em pó, maizena, milho e outros ingredientes, foram embalados pela sensação de “retribuir”. Pensando bem, o troco nem era tão importante (não existe rancor no discurso deles), mas a piada seria ótima! Isso porque a banda nem sabe ao certo se é curitibana. Nenhum integrante atual nasceu aqui e muito menos mora em Curitiba. Gorky e Pedro começaram a reencontrar amigos, conversaram com fãs e ficaram em um zigue-zague social com Laura e Bernardino sendo apresentadas a todos. Amoleceram. Deixaram o lado infantil nas roupas de bebês e fraldas, e conduziram o cocô somente no palco (claro, quem subiu no palco saiu “cagado”). Foi um dos melhores shows que a cidade recebeu no ano.

O mais impressionante é que eles sequer provocaram o público com a mistura de texturas e odores que pairava no palco. Não precisou. Os fãs se jogaram na lambança. Em vários momentos o palco foi tomado por vinte, trinta pessoas que agitavam e se esfregavam. Anarquia escatológica embalada pelo funk e os vocais gritados e roucos de Pedro, Ana, Laura e Gorky. Quer ver alguém dar o sangue em uma apresentação de pouco mais de 50 minutos que não para (não para, não)? Clica em um dos vídeos…

… o melhor é que nenhum integrante da banda jogou o falso cocô nas pessoas. Sempre tinha alguém em volta jogando merda no outro. Fica a dica de uma metáfora bem interessante…

III – banho e sábado de cinzas

Foi isso. No dia seguinte as duas bandas partiram para Porto Alegre. Levaram um pouco do lado carioca-curitibano-universal para os gaúchos. Assim como levam para os palcos paulistanos, mineiros, recifenses, ingleses, japoneses… por aqui, tudo segue normal. Mais solto e relaxado, como uma boa descrição de pós-cagada que só Charles Bukowski poderia escrever.

videos e fotos do @yadayadayada

2039

15 out

lembra aquele papo sobre o texto que eu publiquei na última edição da Curitiba Deluxe? então…

ilustra de guilherme caldas (candyland)

ilustração de guilherme caldas (candyland)

subtropicália 2039


ok… 2h49 da madrugada… um anônimo acaba de me mandar tomar no cu (via blog) e li umas coisas que me desanimaram. Não é a melhor hora de começar esse texto. Ou é?

Bom, amanhã conversamos.

Pra variar eu dormi demais. Acordei 30 anos depois, em 2039. Com Michel Gondry e Nêgo Pessoa de guias, não pergunto como vim parar aqui e me jogo pelas ruas para buscar inspiração, sentir a cidade, o clima, as mudanças, ver os carros voadores e as máquinas de teletransporte.

Nada disso.

Já imaginava que o futuro seria assim… jovens com roupas estranhas, arquitetura de casas arrojadas, ao lado de ícones preservados da cidade. A Rua XV ganhou uma cobertura para proteger seus visitantes da maléfica luz solar. A estatua do Homem Nu foi esteticamente adaptada para uma homenagem feita em memória de Oilman (ganhou um rabo de cavalo e foi envernizada). O Passeio Público está com ares de Central Park e ocupa toda a área que ia do shopping Muller até o Mafalda e arredores. A antiga sede da Curitiba Deluxe foi ocupada por árvores e riachos artificiais. Por sinal, preciso saber como está o Heros lá na Deluxe e se ele ainda precisa deste artigo…

Só não entendi porque suspenderam a Praça Osório para a cobertura de um prédio de 70 andares construído no local que é a sede da atual prefeitura de Curitiba. Central e de olho em toda a capital. Resquícios das duas gestões de Dary Jr. como prefeito. Desde o final do Terminal Guadalupe ele decidiu colocar em prática suas letras e composições e assumiu o compromisso público. Pelo visto ele montou uma outra banda… com seu filho, Dary Neto.

Acessei a rede wi-fi que existe no planeta e pesquisei o que aconteceu nesses 30 anos. Nenhuma novidade, eles sabem muito mais sobre 2009 do que nós, habitantes da época. A surpresa está na forma como nossa produção musical tinha sido assimilada. Algumas figuras continuavam na ativa… como o Relespública que ainda tocava todas as quartas no Hermes, no compasso do Blindagem. Mas o endereço do Hermes mudou… não o local, só o nome da rua. A Avenida Iguaçu agora se chama Waltel Branco graças a seu legado deixado como uma das principais obras da música local. Suas coleções são hoje disputadas em edições de vinil e têm a mesma importância que a obra de Tom Jobim e Duke Ellington. Justiça foi feita (meio tarde).

Bati os olhos nos arquivos do Caderno G e as diferenças gritaram. (Off – grandes figuras que surgiram no twitter ocuparam altos cargos da Gazeta do Povo. A @twittess passou um bom tempo como coordenadora antes de assumir um cargo mais alto na Globo Media Corporation. Seus seguidores continuaram juntos e aumentando). Então… o grito veio em forma de  compreensão. Hoje, em 2039, nossa história é melhor assimilada e refletida, assim como seus personagens. Logo após a primeira turnê do Bonde do Role pela América Latina (que terminou após um ataque de stress sofrido por Pedro, já previsto por uma vidente anos antes), caiu a ficha do público curitibano. Sacou que as fontes de informações estavam ali, prontas para serem descobertas na internet. Acabaram com aquela carência refletida em agressões virtuais e reclamações que acompanhavam a molecada desde o chat que existia no site O Bule. Jornalistas também mudaram um pouco seus critérios e deixaram de queimar o filme em público. Assimilaram que aquela idéia de “banda que vai emplacar no Brasil” não representava mais nada. Nada. A internet mudou tudo. Os critérios de análise se tornaram mais segmentados e, ao mesmo tempo, universais. A banda não era mais avaliada comercialmente ou baseada em gostos pessoais, e sim pela relevância dentro de seu nicho. Mesmo que só tenha emplacado na Indonésia, ela era respeitada e compreendida (enquanto isso, sons ruins continuavam ruins e não despertavam a menor atenção da mídia… ou eram bem criticados) Público, bandas e jornalistas no eixo. Neste grau de importância… Mas o pior é que ainda têm umas figuras de 2009 que insistem em achar a situação… opa. Peraí. Preciso parar. Tem muita gente me olhando estranho porque estou usando um notebook em público… sooo last week.

É bom saber que o futuro nos reserva um pouco de utopia. Quem acha que esse papo vai terminar com uma lição de moral, foi mal ai. Só reafirma que tudo feito em 2009 contribuiu para esta realidade, 30 anos depois. Igual importância para erros e acertos, otimistas e pessimistas… O caminho é esse mesmo e seguido sem arrependimentos.

sufjan stevens – “interlude I – dream sequence in subi circumnavigation” (video)

14 out