coachella 2010 (sobre pessoas no deserto)

6 maio

Faz anos que eu escuto histórias sobre o Coachella. Leio mais do que escuto, já que conheço alguns poucos que se aventuraram pelo deserto californiano em busca de três dias de música, arte, sexo, drogas, liberdade, cervejas, água, margaritas, calor e pessoas. Muitas pessoas. Para encarar a maratona de mais de cem apresentações, você tem que gostar delas. Seres humanos de todos os tipos… dos hippies fora de época, passando pela playboyzada de O.C. (eles existem), turistas, crianças, idosos, perdidos, modernos, normais… Mais de 225 mil espectadores contribuindo com um faturamento de 20 milhões de dólares. O papo nas rodinhas de americanos era o aumento de público, das filas, hotéis e estacionamentos lotados, congestionamentos… Se você me perguntar uma definição rápida sobre o Coachella, é isso que eu posso dizer; um festival para pessoas e sobre elas. Esqueça as bandas… (por enquanto).

Mas não é justamente por isso que os festivais foram criados? Sim, mas em algum momento da história nós esquecemos desse detalhe. Pelo menos aqui no Brasil. Antes era sobre “paz e amor” e o descobrimento da cultura jovem… agora, é o “estar ali”. Simplesmente isso. Em tempos de MP3, youtube e transmissões on line… isso é raro e é o charme da trip. O verdadeiro festival é o que te oferece a oportunidade de participar, mesmo que você não esteja na frente do palco. A foto que abre o post foi tirada em um dos jardins para o consumo alcoolico. Entre dois palcos e sem a menor visibilidade do que acontecia por todo o Empire Polo Club, em Indio. Precisava de mais? Sim, com certeza eu perdi muita coisa enquanto tirei essa foto tomando uma cerveja, mas estava no clima. E é esse “clima” a grande sacada do Coachella Valley Music & Arts Festival.

Foi meu terceiro festival gringo… e o mais impressionante de todos. Talvez seja a vibe californiana, a nostalgia na escalação do line up ou o fato de estar no meio do deserto. Rodeado por palmeiras e montanhas que podiam ser tocadas e tinham neve no topo. Além das obras de arte espalhadas por todos os lados, interagindo contigo e disputando a atenção com as bandas. Tipo isso aqui… no meio do show do Thom Yorke:

O Coachella é um festival que bate certinho com a forma como escutamos música hoje. Acostumados com MP3, iPods, discos vazados e por ai vai. Parece um shuffle ao vivo. Várias atrações divididas em cinco palcos e a coisa mais normal que se via por lá eram os congestionamentos entre eles. Ninguém se importava em pegar um show pela metade ou sair depois de algumas músicas. Parece muito com esse novo costume que temos de adiantar as faixas ou trocá-las antes de seu final. Falta paciência musical para os ouvidos do público, mas sobra disposição e mente aberta para o novo. Não tem como não aproveitar.

congestionamentos, skyline de balões e tem até o Wally ai no meio... achou?

Mesmo assim é complicado. Eu deixei de ver muitos shows em função de outros… e valeu. Não vou falar  de uma vez sobre as apresentações que mais curti… vou soltar em pequenos posts espalhados pela semana. Mas dá para fazer um resumão de alguns destaques:

– boas-vindas com The Specials… depois de todo o stress de congestionamentos, filas e aglomerações. Um brinde.

Jay-Z é gigante nos Estados Unidos. Foi uma apresentação “histórica”, segundo alguns, e sua áurea permaneceu durante os três dias de festival. Através de piadinhas e comentários nos palcos e de sua presença, ao lado da esposa (Beyoncé), em algumas apresentações (viram o show do The XX no espaço dos fotógrafos).

– Vou parar de falar mal do Them Crooked Vultures. Como era mais do que esperado o show é uma pedrada. A banda dos sonhos de Josh Homme. Mas o disco ainda me decepciona.

Faith no More foi lindo… mais um nome reforçando o caráter nostálgico-noventista do lineup de 2010.

– Achei o show do Vampire Weekend bem fraquinho… esperava mais pelo tanto que falam. Show comportado e alinhado… parecia uma foto de divulgação feita em estúdio.

Grizzly Bear sim, fica ainda mais incrível ao vivo.

– uma pena terem marcado o show de Gil Scott-Heron para a tarde do primeiro dia, sexta-feira. Alguns momentos de introspecção não bateram com o clima da maioria presente e empolgada com as primeiras horas do festival… triste.

De La Soul em uma linda e ensolarada tarde de domingo…

Lista de shows que perdi (pelo menos os que eu estava me organizando para assistir)…

– She & Him, Fever Ray, Ra Ra Riot, Yeasayer, Tokyo Police Club, White Rabbits, Girls, Dirty Projectors, Beach House, Camera Obscura, Jonsi, Deerhunter, Sly Stone, King Khan And The Shrines…

o resto não importa.

Próximos posts com os shows =)

3 Respostas to “coachella 2010 (sobre pessoas no deserto)”

  1. Emílio Mercuri maio 6, 2010 às 2:35 pm #

    Grande Guga!
    Que inveja tua. Inveja branca. Esse seu post me deixou pilhado pra ir no Primavera Sound em Barcelona, e quer saber? Agora eu vou!🙂
    Abraços

  2. subtropicalia maio 6, 2010 às 3:43 pm #

    Claro, po! Até pq o lineup do Primavera ta bem bonito… (ai em Portugal tbm! rolam uns festivais bem bacanas no final de julho/começo de agosto)

  3. Lemos maio 6, 2010 às 8:00 pm #

    estou entre risadas e suspiros aqui… massa cara. massa demais.

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