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última lista de 2009…

29 jan

… juro!

Para acabar de vez com o ano do Boi! Segue a última lista com minhas escolhas para melhores discos internacionais de 2009. Já tinha publicado as listas de melhores da década e lançamentos nacionais do ano… só faltava essa mesmo. E veio com bônus…

Se tem validade a sua publicação agora… ou se faz alguma diferença? Sim e sim. Me acompanhe…

17 – Passion Pit – “Manners”
16 – Franz Ferdinand – “Tonight Franz Ferdinand”
15 – Arctic Monkeys – “Humbug”
14 – Grizzly Bear – “Veckatimest”
13 – Jónsi & Alex – “Riceboy Sleeps”
12 – Yeah Yeah Yeahs – “It’s Blitz!”
11 – Rain Machine – “Rain Machine”
10 – Girls – “Album”
9 – Japandroids – “Post-Nothing”
8 – Sonic Youth – “The Eternal”
7 – The XX – “XX”
6 – Yo La Tengo – “Popular Songs”
5 – The Phenomenal Handclap Band – “The Phenomenal Handclap Band”
4 – St. Vincent – “Actor”
3 – Phoenix – “Wolfgang Amadeus Phoenix”
2 – Whitest Boy Alive – “Rules”
1 – Animal Collective – “Merriweather Post Pavillion”

Resumindo: na hora que vazou o disco do Animal Collective (em janeiro!) o ano já era deles… por mais que fãs e jornalistas tentem complicar o som do AC, seus integrantes parecem descomplicar. Sabe o Ramones? O que eles fizeram no final dos anos 70, com o rock progressivo e todas as grandes masturbações sonoras? Então. O combo de Baltimore simplifica ao máximo, brinca com o que já existe, desconstrói e abusa dos estímulos… Ainda nessa onda de simplificar, as duas grandes novidades do ano se especializaram nisso antes mesmo de saírem da garagem. The XX e Girls. Produção relaxada e despretenciosa… som original que resume bem alguns pontos interessantes que a música passou no século XX. Eles parecem alguma coisa que você já ouviu, mas não sabe onde. O mais impressionante é a melancolia e nostalgia carregada na atmosfera das músicas (sejam ensolaradas com o Girls ou sombrias com XX). Saudades de fatos e histórias que não são deles! Ou de suas épocas….

Saindo fora dessa vibe simples demais e caindo um pouco para a psicodelia e experimentalismo, lá do Brooklyn (de novo) vem a The Phenomenal Handclap Band e St. Vincent. Da mistura de sons africanos, com música eletrônica, disco, e até psicodelia brasileira (!), o The Phenomenal Handclap Band conseguiu lançar um dos discos mais variados e surpreendentes do ano. Parece muito mais uma coletânea de diferentes bandas do que um álbum. A St. Vincent cai na sujeira e distorção em trilhas sonoras de contos de fadas. A surpresa sempre foi uma das grandes armas de uma boa composição.

Algumas viúvas de sucessos recentes da música alternativa ficaram felizes com os discos do Rain Machine (projeto de Kyp Malone, do TV On The Radio) que se afunda em mantras e texturas, assim como o Jónsi & Alex (integrantes do Sigur Rós) que parte para o outro lado e retoma alguns pontos da boa fase do grupo islandês…

Isso tudo e mais 10 discos super indicados. A supremacia do Yo La Tengo e Sonic Youth; os explosivos discos do Arctic Monkeys, Yeah Yeah Yeahs e Franz Ferdinand; a suavidade do Phoenix, Grizzly Bear e The Whitest Boy Alive; os extremos Japandroids e Passion Pit

Vários sons legais para você ouvir… se é que você deixou passar alguns desses nomes, ou simplesmente não botou fé. 2009 foi um ano bacana… mas 2010 ta ai, o que você está achando?

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o estranho é o novo pop mesmo…

11 nov
de Francisco de Deus

de Francisco de Deus

 

Esse é mais um daqueles textos que terminam e não chegam a lugar algum. Nem é esse o objetivo… de bater o martelo ou taxar uma situação. São só idéias sobre algo que está longe de terminar… e sem definição.

Ok… vamos clarear isso… Esse ano a música passa por uma fase bem interessante. Nunca seria cogitado que bandas como MGMT, TV On The Radio, Vampire Weekend, Hercules & Love Affair, Fleet Foxes, Yeasayer, Animal Collective, Man Man, entre várias outras, conquistariam bons lugares nos charts e algumas até chegariam a um reconhecimento mais pop. Há dois anos o MGMT passaria bem longe desse sucesso todo e ninguém cogitaria o Explosions In The Sky como um dos headliners do Lollapalooza. O fato é que o pop vive um período bem sem graça… sem criatividade e audácia. (Pop no sentido roqueiro da coisa… não no nível “Justin Timberlake”).

Quem cantou essa bola foi Anand Wilder, guitarrista do Yeasayer, em uma entrevista para o New York Times publicada em março. “Pop-rock has gotten so unsophisticated that experimental rock is the only thing to turn to”… E o melhor é que isso já rende alguns frutos… e não é de hoje. Ano passado o Editors lançou seu segundo disco, ” An End Has a Start”, e o primeiro single de trabalho dele foi “Smokers Outside The Hospital Doors”, bem fofa e radiofônica, mas com explosões sonoras chupadas do tal post-rock… total Sigur Rós, pode comparar:

Editors – “Smokers Outside The Hospital Doors”

Sigur Rós – “Saeglopur”

Então, o grande lance é que passamos o estágio da “era do conhecimento”… ele ja foi e nos deixou um legado gigantesco. Por isso, vivemos uma pausa extremamente criativa e assimilada principalmente pela música experimental. Uma espécie de “era do discernimento”… termo que lembra logo de cara aquelas palestras de auto-ajuda para empreendedores, mas que faz sentido no contexto artístico.

Ninguém aguenta mais os revivals ou misturas bizarras e propositais. Cada um funcionou bem na sua época, mas já deu. Atitudes mecânicas não “vendem” hoje em dia… o espectador está cada vez mais esperto e já começa a sacar por conta própria quando a manifestação é autêntica… e quando é um embuste. Assim, fica difícil para bandas e mídia subestimarem o público. Coisa linda! O caminho hoje é a devida digestão de tudo o que foi vivido no século XX. Milhares de discos novos são lançados todas as semanas… cabe aos diferentes filtros uma seleção bacana. E não, mais do mesmo não nos interessa.

Essa nova “digestão” também foge da famosa antropofagia. Não chega a ser protesto e muito menos uma imposição… é só uma assimilação de referências. Encontrar no som de uma banda elementos da vanguarda artística do começo da década de 80 em NYC, ao lado da linguagem dos desenhos animados em ritmo video-clipado… Bizarro? Não, puro instinto.

A necessidade de encontrar uma voz própria no meio desta avalanche sonora é o fio condutor. Acredito que em certos aspectos o músico se expõe mais hoje. Não conta mais com um escudo formado por um personagem criado… ou não, extrapola e cria um mundo ou personagens que habitam o seu imaginário… mas tudo buscando a diferença. São extremos bem individuais, que conquistam seus semelhantes graças a uma birosca chamada internet.

A melhor parte é que Curitiba vive um momento assim. Não é geral, óbvio, mas se olharmos com calma vamos encontrar músicos desapegados e voltados para o próprio umbigo. Fora do eixo… e não devem nada… estão livres para testarem sua auto-crítica e, se cumprirem sua missão e encontrarem uma voz única, todos ficamos felizes. Vai que nossos umbigos são parecidos…

Bom… outro dia a gente volta a falar sobre isso. Idéias e exemplos não faltam… mas vamos testando eles na prática por aqui…