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é noize

31 ago

então… quem me conhece e visita o blog sabe que eu sumo de tempos em tempos. eterno processo de organização de agenda e cabeça para manter o blog junto com a rádio (e quando colocamos as questões financeiras na mesa, as decisões ficam óbvias, né =).

Mas nesse meio tempo eu tive a honra de participar de algumas edições da revista Noize. Publicação gaúcha com circulação gratuita em várias cidades do país… bem bacana, esperta e recomendada. Tô lá na #34, (resenha do disco do Guizado) #35 (resenha do Mombojó e texto sobre o M.Takara 3) e #36 (sobre o Tame Impala)…

Release: Cérebro Eletrônico + Guizado em Curitiba

3 abr

São raros os casos em que o line up de uma festa é tão significativo quanto o escalado para se apresentar em Curitiba no próximo dia 4 de abril (amanhã). Reduzido, sim… três bandas. Mas um intensivão para entender as novas vertentes da música brasileira. Independente ou não… não interessa. O papo aqui é música.

 Os trabalhos destes três nomes deram o frescor na trilha sonora de 2008. Os paulistanos da Cérebro Eletrônico e Guizado, junto com os curitibanos da ruído/mm, foram responsáveis por três influentes álbuns que marcaram o ano e ecoam por toda futura produção de 2009. Bem colocados nas listas de “melhores do ano”, queridos pelo público nos shows e agraciados pela crítica. Mais uma vez, os limites foram ultrapassados e novas possibilidades surgiram para quem quiser aproveitar. Mas, como reza a sabedoria popular, “cada um no seu quadrado”.

 O Cérebro Eletrônico é colorido como o princípio da MPB. Abusa de referências retrós ao mesmo tempo em que soa extremamente atual. Em suas canções (sim, canções!) o pop, a música eletrônica, sonoridades brasileiras e o rock surgem naturalmente. Como se sua mistura simplesmente estivesse ali, pronta para ser explorada em letras sacadas. Lançaram o disco Pareço Moderno com as certeiras faixas “Dê”, “Os Astronautas”, a excelente “Talentoso”, junto com a composição que empresta o nome ao disco. Capitaneado por Tatá Aeroplano, o grupo é formado por Fernando Maranho, Fernando TRZ, Isidoro Cobra e Gustavo Souza. Figurinhas da cena musical paulistana com seus outros projetos, que vão de Jumbo Elektro e Trash Pour Quatro, até Dona Zica, Luz de Caroline, Zeroum, Frame Circus Junio Barreto... e assim corre a lista.  

 No mesmo princípio de combo com diferentes integrantes, chega Guizado e seus novos caminhos do jazz (mas jazz mesmo? Será?). O trompetista Guilherme Mendonça se apresenta em Curitiba ao lado do guitarrista Lúcio Maia (ele mesmo, da Nação Zumbi), Regis Damasceno Rian Batista (ambos do Cidadão Instigado) e a ilustre presença de Curumim na bateria. Pela formação já vale o show… sem ao menos conhecer o trabalho da banda. Flutuando entre as batidas eletrônicas pós-modernas – revestidas pela acidez de um trompete mais do que orgânico – Guizado foi uma das grandes sensações de 2008 com o disco Punx. Após uma pausa nos shows, o grupo retoma suas atividades na capital paranaense com a promessa de apresentar as novas composições que estarão no próximo disco. Algumas com vocal…

 Para completar a noite, nada mais justo do que a presença da ruído/mm e seus frutos colhidos após o lançamento do disco A Praia. Velhos conhecidos das noites nos pinheirais, a banda ganhou o público paulistano com suas três apresentações mais recentes e conta com todo um novo repertório. As texturas sinestésicas do septeto continuam soando universais, ao mesmo tempo em que fica claro seu berço no imaginário popular brasileiro.

(quer ganhar ingressos? vai la no INMWT e pergunte como…)

 

 _04/04 – sábado

 _Cérebro Eletrônico (SP)
http://www.myspace.com/cerebroeletronico

 _Guizado (SP)
http://www.myspace.com/guizado

 _ruído/mm (PR)
http://www.myspace.com/ruidopormilimetro

 

 _John Bull Music Hall
(Eng. Rebouças, 1645)

 _meia entrada custa R$20
(meia entrada – estudantes, doadores de sangue, doadores de 1kg de alimento e maiores de 65 anos)

 _Pontos de venda:
John Bull Café – R. Comendador Araújo, 489
John Bull Music Hall – Eng. Rebouças, 1645
Lamb – R. Vicente Machado, 674

 _Realização:
Maamute
Oxigênio
Pizzicato

 _Informações:
3013 2700 / 3013-2707

“Sketches of Sao Paolo” (punx e o jazz)

3 dez

foto de Fabio Ahmad

Guizado é mais um sinal dos tempos. O projeto paulistano encabeçado por Guilherme Mendonça já entrou para o ranking de melhores do ano com o lançamento do disco “Punx”. O motivo? Bom, só em uma primeira escutada lembra a ousadia do álbum “Bitches Brew”, de Miles Davis, com a sujeira pós-moderna do duo francês Justice. Mas como eu disse, isso em uma primeira escutada. 

Eu sempre reclamei sobre a tal vanguarda do jazz. Esse bendito gênero que tem a capacidade de conviver com diferentes períodos ao mesmo tempo em um ciclo atemporal. Diálogos entre presente, passado e futuro, com novas produções que passeiam pelo swing, bebop, free, cool, fusion e eletrônico, sendo lançadas todas as semanas. Para ouvir isso eu prefiro continuar com os clássicos. Sem nenhum ressentimento. Só Miles Davis produziu material para uma vida inteira de descobertas musicais. Duke Ellington, Mingus, Coltrane, Monk, Piazzolla, Jobim e alguns outros ilustres também já são mais do que suficientes para outras vidas. Qual o motivo para eu e você nos desgastarmos com novidades que rascunham mais do mesmo? E o gênero eletrônico tem que tomar cuidado… já está caindo em um lugar comum que ofusca seu brilho inicial dado nos últimos sopros de Miles (de novo ele).

Porém, novas frentes jazzísticas que merecem atenção surgem em Quioto, Berlim, Chicago (material para outras conversas) e São Paulo. Ah, São Paulo… talvez a grande inspiração para o Guizado. Mas será que “Punx” é um disco de jazz? Uma produção que aponta uma nova etapa do que pode ser feito em um dos principais estilos musicais, surgidos no início do século passado e responsável por tudo o que escutamos hoje? Tudo mesmo. Perguntas e mais perguntas que só tornam o trabalho de Guizado mais intrigante.

“… Guizado is not jazz” é a resposta para uma das perguntas que está presente em um texto inicial de sua página do Myspace. De fato, ele não é… mas ao mesmo tempo é. Não carrega nenhuma convenção do estilo… mas o espírito esta lá, capaz de conviver com uma babilônia sonora… mas não “organizar”. Os sons surgem naturalmente. A trangressão, o uso dos instrumentos e sintetizadores a favor da música, longe de virtuosismos punhetais e egoísmos típicos de um frontman qualquer que sofre de “paulemolência” (como diria Lobão). Mendonça, teoricamente, é o principal figura dessa história e em alguns momentos só entra para dar uma pincelada nas cores da música. Isso já é jazzy o suficiente.

Ele também esta longe da figura estereotipada do jazzista. Nada de ternos alinhados ou roupas hippies, chapéu e discretos óculos escuros, como ele mesmo assume em uma entrevista dada para a +Soma, que pode ser vista aqui. Entra em cena a calça larga e o boné típico do hip hop. Assim como em suas músicas. Junto com o rock (e o post-rock), sons latinos, africanos, psicodelia e batidas eletrônicas. Cai Duke Ellington como despertador musical e entra Jimi Hendrix. Kerouac flutua com suas idéias. E São Paulo se ouve ali. O noir esfumaçado é substituído pelo graffiti colorido. Isso tudo você pode ouvir em suas declarações lá no vídeo da +Soma (de novo, aqui).

Por isso Guizado é um sinal dos tempos. Capaz de assimilar toda uma herança musical e mais do que diversificada do século XX, com ecos de uma vanguarda paulistana e muita personalidade. Ele conseguiu resumir o (bom) som da capital paulista em um disco. Lá você pode identificar o rigor distorcido do Hurtmold, junto com melodias arrastadas do Cidadão Instigado; a atitude do Instituto e a sagacidade do Curumim. E garoa. Isso também acontece porque ele chega acompanhado por músicos integrantes das bandas citadas. Curumim é o responsável pela bateria, dividida com M. Takara durante as gravações. Ainda conta com o baixo de Ryan Batista e Regis Damasceno na guitarra – ambos do Cidadão Instigado – o acompanhando nos shows.

Trilha para um passeio do Blade Runner pela Rua Augusta enquanto policiais sacam as “primas” que passam em frente ao Ibotirama, e ouvem Fela Kuti ao lado de uma mesa cheia de meninas tatuadas. O caos e a solidão em clima futurista de festa e batuque. “Punx” é pós-moderno pacas (e isso está longe de ser uma observação cabeçuda). Um bê-a-bá para jovens e veteranos em campos experimentais.

A faixa “Rinkisha” mais entrevista no Tramavirtual.

“gameboy”!

 

(alguém sabe de quem é o crédito da foto que abriu o texto? o denis, inmwt, descobriu!)

essa semana…

27 out

– Juana Molina:

 

– Guizado: