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eu acredito no mgmt

8 ago

Pouco a pouco o novo trabalho do MGMT ganha cara. O título provisório do terceiro disco é “Congratulations” e algumas músicas já pipocam pela internet em versões ao vivo. Caso da faixa “Song for Dan Treacy” que faz parte do repertório deles… e não é de hoje. O melhor é que sua levada acústica e melosa confunde (e muito) quem é fã do disco “Oracular Spectacular”. Segue o video dela registrada no All Points West, que aconteceu no final de semana passado…

Calma. Segundo algumas notas espalhadas por ai, o produtor deste novo disco é Pete Kember, um dos fundadores do Spacemen 3. Ou seja, o clima continua psicodélico… só que um pouco mais obscuro e urbano. Longe das texturas coloridas, campestres e até infantis que David Fridmann usou e abusou na função de produtor do “Oracular Spectacular”. Quem sabe? As gravações estavam sendo realizadas em Malibu e a previsão de lançamento de “Congratulations” é só para o início de 2010. Mas pelo menos eles lançaram esse ano o single de “Time to Pretend” remasterizado… o que também pode ter sido um choque para os fãs.

Tá vendo como pouco a pouco essa história começa a fazer sentido? Não faço idéia de como será esse próximo disco, mas já me arrisco em sua defesa. Todos sabem muito bem qual é a fama dos shows do MGMT; longos, psicodélicos e completamente diferentes do estúdio. Essas gravações dos shows podem estar longe da realidade do álbum. Uma banda estranha mas que representa bem sua época; desde o que rola nas ruas, até tendências das paradas de sucesso pop. “Oracular Spectacular” foi um dos fenômenos de 2008 e colocou esses hipsters-neo-hippies-e-sujos ao lado de figuras carimbadas do mercado fonográfico. Repito, sinal dos tempos.

Mais uma música inédita registrada no APW. Tem gente que foi e disse que eles tocaram quase todo o disco novo…

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o estranho é o novo pop mesmo…

11 nov
de Francisco de Deus

de Francisco de Deus

 

Esse é mais um daqueles textos que terminam e não chegam a lugar algum. Nem é esse o objetivo… de bater o martelo ou taxar uma situação. São só idéias sobre algo que está longe de terminar… e sem definição.

Ok… vamos clarear isso… Esse ano a música passa por uma fase bem interessante. Nunca seria cogitado que bandas como MGMT, TV On The Radio, Vampire Weekend, Hercules & Love Affair, Fleet Foxes, Yeasayer, Animal Collective, Man Man, entre várias outras, conquistariam bons lugares nos charts e algumas até chegariam a um reconhecimento mais pop. Há dois anos o MGMT passaria bem longe desse sucesso todo e ninguém cogitaria o Explosions In The Sky como um dos headliners do Lollapalooza. O fato é que o pop vive um período bem sem graça… sem criatividade e audácia. (Pop no sentido roqueiro da coisa… não no nível “Justin Timberlake”).

Quem cantou essa bola foi Anand Wilder, guitarrista do Yeasayer, em uma entrevista para o New York Times publicada em março. “Pop-rock has gotten so unsophisticated that experimental rock is the only thing to turn to”… E o melhor é que isso já rende alguns frutos… e não é de hoje. Ano passado o Editors lançou seu segundo disco, ” An End Has a Start”, e o primeiro single de trabalho dele foi “Smokers Outside The Hospital Doors”, bem fofa e radiofônica, mas com explosões sonoras chupadas do tal post-rock… total Sigur Rós, pode comparar:

Editors – “Smokers Outside The Hospital Doors”

Sigur Rós – “Saeglopur”

Então, o grande lance é que passamos o estágio da “era do conhecimento”… ele ja foi e nos deixou um legado gigantesco. Por isso, vivemos uma pausa extremamente criativa e assimilada principalmente pela música experimental. Uma espécie de “era do discernimento”… termo que lembra logo de cara aquelas palestras de auto-ajuda para empreendedores, mas que faz sentido no contexto artístico.

Ninguém aguenta mais os revivals ou misturas bizarras e propositais. Cada um funcionou bem na sua época, mas já deu. Atitudes mecânicas não “vendem” hoje em dia… o espectador está cada vez mais esperto e já começa a sacar por conta própria quando a manifestação é autêntica… e quando é um embuste. Assim, fica difícil para bandas e mídia subestimarem o público. Coisa linda! O caminho hoje é a devida digestão de tudo o que foi vivido no século XX. Milhares de discos novos são lançados todas as semanas… cabe aos diferentes filtros uma seleção bacana. E não, mais do mesmo não nos interessa.

Essa nova “digestão” também foge da famosa antropofagia. Não chega a ser protesto e muito menos uma imposição… é só uma assimilação de referências. Encontrar no som de uma banda elementos da vanguarda artística do começo da década de 80 em NYC, ao lado da linguagem dos desenhos animados em ritmo video-clipado… Bizarro? Não, puro instinto.

A necessidade de encontrar uma voz própria no meio desta avalanche sonora é o fio condutor. Acredito que em certos aspectos o músico se expõe mais hoje. Não conta mais com um escudo formado por um personagem criado… ou não, extrapola e cria um mundo ou personagens que habitam o seu imaginário… mas tudo buscando a diferença. São extremos bem individuais, que conquistam seus semelhantes graças a uma birosca chamada internet.

A melhor parte é que Curitiba vive um momento assim. Não é geral, óbvio, mas se olharmos com calma vamos encontrar músicos desapegados e voltados para o próprio umbigo. Fora do eixo… e não devem nada… estão livres para testarem sua auto-crítica e, se cumprirem sua missão e encontrarem uma voz única, todos ficamos felizes. Vai que nossos umbigos são parecidos…

Bom… outro dia a gente volta a falar sobre isso. Idéias e exemplos não faltam… mas vamos testando eles na prática por aqui…

Cassim no South By Southwest (atualizado)

21 out

Isso mesmo! Como parte da inauguração do Subtropicália, uma bomba em primeira mão. Tem curitibano escalado para a edição 2009 do festival South By Southwest. Cassiano Fagundes (atualmente refugiado em Floripa) leva seu projeto solo para terras norte-americanas. Cassim está no SXSW.

Ele acaba de lançar o EP “Ready” pelo selo carioca Midsummer Madness, que funciona como uma coletânea de suas composições desde 2006. Também é figurinha carimbada graças ao Bad Folks, Magog, entre outros diferentes projetos que povoaram a cena curitibana… E como citado aqui, ele ajudou na inspiração inicial para a criação do blog…

Reconhecido hoje como um dos grandes descobridores de novos talentos, o SXSW surgiu em 1987, em Austin (Texas). O festival acontece em diversos bares e casas de show por lá, e também reúne mostras de cinema e conferências sobre as manifestações artísticas envolvidas. Só ano passado, entre participantes como MGMT, The Black Keys, She & Him,… se apresentaram os brasileiros Curumin, Tita Lima, Lucy And The Popsonics, Pierre Aderne, Montage, Alexia Bontempo e mais alguns…

Ele acontece em março do ano que vem, entre os dias 13 e 22… vamos aguardar por mais brasileiros na escalação.

Ponte Brooklyn???

21 out

Que a edição 2008 do Tim Festival esta estranha, é mais do que explícito… esse lance de separar ainda mais os palcos e as noites, criar “temas” e tentar apostar em vertentes esgotadas (“Novas Raves”… meio 2005 demais isso, não?) já se mostrou uma fórmula falha. Pronto falei.

E agora então? Sem Paul Weller e The Gossip?

Mas o principal erro deles foi apostar em uma tendência certa e não saber explorar…. criar o palco “Ponte Brooklyn” e chamar o The Nacional parece contraditório. Fato que o Brooklyn hoje é o celeiro de bandas e sons originais… o MGMT é prova disso e salva a noite… mas o The National não tem absolutamente nada a ver com as experimentações em Williamsburg, Bushwick e redondezas… não divide a atual inspiração utilizada por MGMT, Yeasayer, Hercules & Love Affair, Battles e cia… sonoridades diferentes entre si, frescas e pensadas. 

E quem for acompanhar o MGMT no Tim, prepare-se: a apresentação é sensacional. Relevem esse papo de que eles viajam nas experimentações e “se perdem” no meio do show. Balela. É só ouvir o disco umas 2 ou 3 vezes com calma para imaginar  e perceber as diferentes possibilidades que eles têm ao vivo… e a utilizam da melhor maneira.  Tive a oportunidade de conferir o show dos caras no Lollapalooza e passou longe de ser uma decepção… Segue o vídeo de “Future Reflections”.