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de boa…

11 jan

Toda a imagem junkie vendida desde 2006 por tablóides, jornais, piadistas de plantão e paparazzis, caiu por terra. Pelo menos para mim. Testemunhei uma cantora completamente diferente no palco. Carinhosa, envergonhada, alegre e “concentrada”. Amy Winehouse merece o posto de diva moderna e mantém um domínio instintivo no jazz, soul e pop com o charme de quem busca um cano de escape nas raízes da música negra. Esqueça as histórias de drogas, escândalos e barracos. A música é seu grande barato e é isso que está explícito no palco.

Ela sempre seguiu muito bem a cartilha de grandes ícones do gênero. Um talento único com abusos de entorpecentes e vida pessoal conturbada. Não deve nada a Bessie Smith, Billie Holiday, Charlie Parker, Miles Davis, Etta James e companhia… em todos os sentidos. A única diferença é que hoje contamos com uma assustadora cobertura da mídia e a curiosidade mórbida que paira sobre o público. Se Billie Holiday estivesse viva, seria tratada do mesmo jeito.

A tensão momentos antes do show é inevitável. Será que ela vai aparecer mesmo? Em que estado? Vai conseguir cantar? E o clima de comentários sem graça no meio do público só aumenta a agonia. A impressão que dá é que as pessoas compram o ingresso esperando uma performance falida… assim podem falar mal, reclamar e sair dizendo que já sabiam que ia dar merda. Ou só conhecem “Rehab”e aguardam um show de horrores embalado pela soul music. Mal ae, gente. Não foi isso que aconteceu no último sábado, durante a primeira apresentação de Amy no país. Desde 2008 ela não encarava um show aberto, com a banda completa e pressão mundial. Foi bonito de ver.

Uma apresentação de jazz bem intimista, com pitadas de doo-wop e ska que serviam de cenário para histórias modernas… tudo isso escondido em um cavalo de tróia pop. Fato raro hoje em dia. Clima de praia, roupas brancas e soltas, o repertório do “Back to Black”, as versões de clássicos obscuros e novidades.

Sua voz está ótima, com postura centrada e um domínio até meio estabanado da situação. Deslizes perfeitos e suaves que evidenciam aspectos humanos ausentes nos sites de fofocas. Lembra bastante aquele espírito de “limpeza”que está na fase racional de Tim Maia, sacada que surgiu durante um café com a Juliana Sartori (bróder na Lumen FM) e é claro que não releva aspectos religiosos ou a total ausência de drogas e alcool.

Existe um espírito fraternal entre os músicos que beira a postura de irmãos mais velhos protetores. São pacientes, cuidadosos e têm jogo de cintura para qualquer atitude inesperada de Amy. Se comunicam com os olhos enquanto ela sai do palco sem avisar – que só aconteceu, de fato, duas vezes. Uma no início do show e a outra antes do bis. Foi um grande laboratório para testar seus novos limites. Nessas horas, quem segura a onda é Zalon, um dos backing vocals que interpreta algumas músicas durante os shows enquanto ela ficou ali, sentadinha… perdida em suas próprias viagens como na foto que abre o post. Bem de boa… curtindo um retorno acima do esperado.

Maravilha… 2011 começou muito bem e cheio de surpresas. Feliz Ano Novo.

ps. estou fazendo os uploads dos vídeos. daqui a pouco eu posto

senhoras e senhores… pavement

18 out

eles estão chegando…

08/10 – mordida + cosmonave + trem fantasma

6 out

mordida – http://www.mordida.art.br

cosmonave – http://myspace.com/cosmonave

trem fantasma – http://myspace.com/tremfantasma

Dinosaur Jr no Coquetel Molotov 2010

6 out

Algumas centenas de pessoas ficaram surdas nesse show. Mas foi o melhor “piiiiiii” que eu ouvi nos últimos tempos.

Aos poucos vou liberando o material do No Ar Coquetel Molotov 2010. Foi incrível. Você já pode conferir as fotos de alguns shows no flickr do blog.

novo ruído

5 out

voltei.  férias agora só ano que vem… blog de cara nova e um material bacana na manga para ser publicado ainda essa semana… no ar coquetel molotov, hotel avenida, zé cafofinho e (reza a lenda que) até sai a #6Marmita…

Para começar bem vamos com uma faixa nova do ruído/mm. Quer dizer… suas composições são sempre “novas”. Mutantes que ganham diferentes caras e refletem os vários momentos da banda. Domingo passado (03) eles tocaram no SESC da Esquina e apresentaram algumas músicas “inéditas” que estarão no próximo disco.

“Folk” fechou o show e dá pistas de como será o próximo álbum do ruído… É uma baladona com maior presença do piano, leve, cheirando a mato… que termina em uma festa psicodélica com dançarinas de can can em clima de cabaret.

ou não =)

já volto

a juventude do beijo aa força

21 set

Esses dias eu estava conversando com o Ferreira (Beijo AA Força, Maxixe Machine) e ele lembrou essa história…

O ano era 1984 e o Beijo AA Força abria uma apresentação do Legião Urbana em Curitiba… lá na Fábrica. A banda tinha pouco mais de um ano de estrada e encarava um público formado por integrantes dos Titãs, Paralamas e outros grandes nomes da época que estavam na cidade para um festival marcado para o dia seguinte. Graças a uma forcinha do público e músicos, o BAAF também entrou no line up desse festival…

O melhor é a história do show de estréia deles… no Clube Operário, com 2 mil metaleiros presentes ouvindo o trabalho autoral do BAAF que cutucava o punk/hard core/new wave. O grupo sobreviveu… e um ano depois dividia o palco com Renato Russo e cia:

(O mais engraçado é que só foi registrado o show do BAAF… nada do Legião pelo You Tube =p)

aqui você encontra a playlist completa com os vídeos da apresentação

novas dos copas

14 set

No final de agosto o Copacabana Club peitou o público e fez um show de quase 2 horas em Curitiba… ou seja, o setlist veio com todas as músicas que estarão no primeiro disco deles + bônus.

Talvez tenha sido o show mais longo da banda… mas foi um belo teste de repertório e público. A prévia do que vem pela frente você pode conferir nos vídeos. As composições grudentas continuam e aumentam as brincadeiras com outras sonoridades e influências (ainda bem)… “Darling” e “Pas Toujours” tão bem fodonas.

“Backyards”

“Darling”

“Pas Toujour”

e a nova versão de “60’s Sensation”

“Tropical Spalsh”, o primeiro disco dos Copas, sai ainda esse ano…

tambor emocional

16 maio

Que foda o show do Otto. Um terreiro pop para despacho emocional. Todo mundo torcendo para ele continuar com o coração partido e lançar outros vários discos com a mesma densidade de “Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos”. O homem perde alguns de seus principais valores na vida (mulher, parentes, prestígio, apoio…), chega ao fundo do poço e se descobre livre para poder cantar e rugir o que bem entender. O desapego canalizado no pandeiro invisível de Otto e suas composições. Ele continua o mesmo no palco, com o molejo do terreiro e as insistentes tentativas de comunicação com o público… mas tem o peito estufado de um homem que esteve na merda e superou tudo.

Otto vem bem acompanhado. Especialmente na apresentação de Curitiba (15/05) que contou com a participação de BNegão na faixa “Cuba” (deixando no chinelo as rimas de Chorão – ele mesmo – do disco “Condom Black”) e a seleção absurda de músicos em sua banda. Ecos de Nação Zumbi, 3namassa, Cidadão Instigado… Depois de testemunhar Fernando Catatau chorando com a guitarra no palco, eu mudei meu conceito de lamento na música. Vou pensar várias vezes antes de usar o termo em qualquer outro texto.

A carga emocional não é perdida quando eles resolvem resgatar alguns clássicos da carreira do galego de Olinda… com uma cara mais “intranquila”. Mesmo que seja a história chapada de uma menina, seu noivo e um baseado na praia.

escatologia comportada

20 out
foto: @yadayadayada

foto: @yadayadayada

I – o rio de janeiro curitibano

Se você acompanha bem de longe o que rola em Curitiba, com certeza já ouviu falar nestes dois nomes. Bonde do Rolê e Copacabana Club. O primeiro foi direto para a gringa e tem gente que até hoje pergunta de onde esse grupo de funk-carioca-sem-etiqueta surgiu. “é daqui mesmo? como assim?”. O segundo já é uma promessa pronta, agradou ao público, crítica, donos de bares, rádios, músicos, molecada, indies velhos, mtv, levis, kanye west e os curiosos de plantão. Consumido de todas as maneiras para ninguém carregar o peso da omissão nas costas. A comida de bola com os Rolezentos ainda martela a cabeça de alguns jornalistas e público por aqui… Agora, todo mundo quer tirar uma lasquinha dos Copas.

Duas facetas escancaradas. A sensual malandragem dos morros cariocas disputando espaço com a importada e elitizada “princesinha do mar”. Impressionante como dois lados do Rio de Janeiro são absorvidos para buscar uma noção de brasilidade nos pinheirais. Cada um de um jeito… e com identificação declarada. Lindo. E foi esse duelo musical que o reduzido público presente testemunhou. Um capítulo da recente história musical alternativa da cidade… “Alternativa” no caso é o que NAO é psychobilly, NAO é hardcore, NAO é emo, NAO é hip hop, NAO é eletrônico (hum), NAO é pop (huuum…), NAO é mod…

… é o que sobra. E a sobra é grande.

Mas funk carioca universal? Só em Curitiba isso poderia acontecer. Uma forma de chocar as pessoas e modernets de plantão… uma brincadeira de mau gosto, feita por NAO músicos sem noção. Só daria certo aqui…

II – carnaval de bosta

(Deixo aqui as descrições sobre a noite e entrevistas para o Felipe Gollnick, do Defenestrando. Pulo direto para os shows)

Enquanto é bonito ver o Copacabana Club no palco, a experiência sensorial de uma apresentação do Bonde do Rolê pode não ser das melhores. Sons, cheiros e gostos (para quem ficou perto do palco) misturados ao batidão pop esquizofrênico.

Os Copas não contam só com a simpatia e charme das danças hipnóticas de Caca V. Ou das coxas da Claudinha… a guitarra levantada do tímido Alec ao lado de Tile, que as vezes fica de costas para o público e “bate a cabeça” quando é mais exigido no baixo. Muito menos do Rafa Martins, que acaba de assumir o lugar de Luli Frank na guitarra… é todo o conjunto da obra. O Copacabana Club é uma banda de palco. Se você nunca viu uma apresentação deles, não julgue pelas primeiras escutadas. Eles ainda ganharam o reforço das bases de Rodrigo Stradiotto, produtor do EP. De um jeito ou de outro as composições acabam caindo em algum lugar comum da música alternativa, mas é bem feito. Contagia. Seus ouvidos e olhos agradecem o espetáculo. E eles retribuem os agradecimentos. “Obrigados” e mais “obrigados” de todos os lados…

“Retribuir” foi um dos pontos de partida do Bonde do Rolê. Eles não tocavam por aqui há 3 anos. Na época,  já tinham sido reconhecidos pela Rolling Stone gringa, esboçaram uma turnê americana ao lado do CSS e Diplo, e estavam na capa do Estadão e Folha (com uma possível série de shows que aconteceu na Europa, lembrada pelo Pedro). Enquanto poucos veículos de comunicação locais dedicavam algumas palavras a eles. Foram duas apresentações antes de partir para os Estados Unidos. A última, ao lado do CSS, para um público de quase 30 pessoas (eu estava lá). Quase não receberam o pagamento. Se é que receberam.

Ai a equação fica bem fácil de resolver: o início conturbado na cidade + total ausência de noção + tendências escatológicas = a um show de bosta. E foi isso. O Bonde do Rolê veio para jogar a merda no amplificador… mas segurou a onda. Os preparativos para as “fezes artificiais” (antes que alguém ai se incomode com o sentido literário do termo… “bosta”), à base de chocolate em pó, maizena, milho e outros ingredientes, foram embalados pela sensação de “retribuir”. Pensando bem, o troco nem era tão importante (não existe rancor no discurso deles), mas a piada seria ótima! Isso porque a banda nem sabe ao certo se é curitibana. Nenhum integrante atual nasceu aqui e muito menos mora em Curitiba. Gorky e Pedro começaram a reencontrar amigos, conversaram com fãs e ficaram em um zigue-zague social com Laura e Bernardino sendo apresentadas a todos. Amoleceram. Deixaram o lado infantil nas roupas de bebês e fraldas, e conduziram o cocô somente no palco (claro, quem subiu no palco saiu “cagado”). Foi um dos melhores shows que a cidade recebeu no ano.

O mais impressionante é que eles sequer provocaram o público com a mistura de texturas e odores que pairava no palco. Não precisou. Os fãs se jogaram na lambança. Em vários momentos o palco foi tomado por vinte, trinta pessoas que agitavam e se esfregavam. Anarquia escatológica embalada pelo funk e os vocais gritados e roucos de Pedro, Ana, Laura e Gorky. Quer ver alguém dar o sangue em uma apresentação de pouco mais de 50 minutos que não para (não para, não)? Clica em um dos vídeos…

… o melhor é que nenhum integrante da banda jogou o falso cocô nas pessoas. Sempre tinha alguém em volta jogando merda no outro. Fica a dica de uma metáfora bem interessante…

III – banho e sábado de cinzas

Foi isso. No dia seguinte as duas bandas partiram para Porto Alegre. Levaram um pouco do lado carioca-curitibano-universal para os gaúchos. Assim como levam para os palcos paulistanos, mineiros, recifenses, ingleses, japoneses… por aqui, tudo segue normal. Mais solto e relaxado, como uma boa descrição de pós-cagada que só Charles Bukowski poderia escrever.

videos e fotos do @yadayadayada

atualizado little joy show curitiba amarante binki moretti

7 ago

Não é de hoje que muita gente vem parar no Subtropicália procurando informações sobre “show do Little Joy em Curitiba”. Ainda mais com o retorno deles ao Brasil… rola uma esperança. Mas vamos atualizar a história; dessa vez eles passam direto por nós e só tocam no Rio, São Paulo e Porto Alegre. A não ser que alguma produtora local tenha cartas na manga, e uma casa pronta para receber um público maior do que aquelas quase mil pessoas que se espremeram no john bull music hall em fevereiro… e a gripe H1N1 tenha dado uma trégua (tão achando que é brincadeira? a coisa tá séria).

Agora… se você estiver afim de conferir o show do (quase) trio de qualquer jeito, fica a dica publicada no Bloody Pop, de que o Adam Green vem junto para fazer a abertura de todas das três apresentações. A venda dos ingressos também já começou (pelo menos no Rio).

Quem não viu o show deles por aqui… perdeu. Segue o registro que o Denis fez naquela noite quente e arrastada de quarta-feira…